
– A administração do presidente Donald Trump planeja intensificar as operações de deportação de imigrantes sem documentação legal, com meta de deter pelo menos 7.000 pessoas por dia, segundo anunciou Tom Homan, conselheiro sênior de políticas migratórias e conhecido como czar da fronteira. A estratégia, conduzida pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), visa abordar o que o governo considera um grande número de imigrantes liberados no país durante a administração anterior, liderada por Joe Biden.
O plano de detenções em larga escala tem como objetivo alcançar mais de 7 milhões de prisões ao longo do mandato de Trump, caso a meta diária seja mantida. De acordo com Homan e outros funcionários, como o conselheiro de políticas da Casa Branca, Stephen Miller, cerca de 20 milhões de imigrantes indocumentados teriam entrado nos Estados Unidos nos últimos anos. Essa estimativa, no entanto, não foi verificada de forma independente por fontes externas.
As operações do ICE terão como foco principal as chamadas cidades santuário, jurisdições que limitam a cooperação com autoridades federais em questões migratórias. Em estados onde governos locais sinalizaram resistência à colaboração com o ICE, as detenções serão realizadas em comunidades, locais de trabalho ou outros espaços públicos, caso o acesso as prisões seja restringido aos agentes do ICE.
Já em estados como a Flórida, onde autoridades locais cooperam com o ICE, as operações serão menos intensivas, com foco em jurisdições que apresentam maior resistência. Para viabilizar essas ações, o Congresso, de maioria republicana, aprovou a chamada “Grande e Bela Lei” (BBB), promulgada por Trump, que destina um orçamento significativo ao ICE.
Até 30 de setembro de 2029, a agência receberá US$ 29,85 bilhões para operações de deportação, além de US$ 45 bilhões adicionais para centros de detenção, totalizando cerca de US$ 75 bilhões. Esses recursos são exclusivos para processos de deportação e não incluem verbas destinadas a outras agências do Departamento de Segurança Nacional, como a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
As operações planejadas têm gerado debate. Enquanto o governo argumenta que as detenções são necessárias para reforçar a aplicação das leis migratórias, críticos apontam que as ações podem impactar comunidades de imigrantes e gerar tensões com governos locais em cidades santuário. O foco em efetuar prisões em comunidades e em locais de trabalho também levanta preocupações sobre os efeitos em famílias e na economia local, especialmente em setores que dependem de trabalhadores imigrantes.