JSNEWS – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 9 de julho de 2025 uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA, a ser implementada a partir de 1º de agosto de 2025. A decisão foi comunicada por meio de uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicada também na rede social Truth Social. Trump justificou a medida como resposta a supostas práticas do Brasil que prejudicariam os interesses americanos, incluindo alegações de “ataques à liberdade de expressão” e ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que ele classificou como uma “perseguição política”.
Na carta, Trump afirmou que o Brasil teria emitido “ordens secretas e ilegais de censura” contra plataformas de redes sociais americanas, ameaçando-as com multas milionárias e exclusão do mercado brasileiro. Ele também criticou o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado, chamando-o de “vergonha internacional”. Além disso, Trump argumentou que a relação comercial entre os dois países é “injusta” devido a barreiras tarifárias e não tarifárias impostas pelo Brasil, embora dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indiquem que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil há 16 anos, totalizando US$ 88,61 bilhões desde 2009. A tarifa de 50% será aplicada a todos os produtos brasileiros, somando-se a taxas setoriais já existentes, como as de 25% sobre aço e alumínio.
Trump também anunciou uma investigação sob a Seção 301 da lei comercial americana para avaliar práticas comerciais brasileiras, sugerindo que a tarifa poderia ser revista caso o Brasil abra seus mercados e reduza barreiras comerciais. Ele ameaçou aumentar ainda mais as alíquotas em caso de retaliação brasileira e alertou que produtos redirecionados por terceiros países para evitar a tarifa enfrentarão taxas ainda mais altas.
Impactos Econômicos no Brasil
A medida deve impactar setores estratégicos da economia brasileira, como agronegócio, siderurgia, aviação, café e celulose, que representam grande parte dos US$ 40,4 bilhões exportados para os EUA em 2024, equivalente a 12% das exportações totais do Brasil. Economistas estimam perdas de até US$ 2 bilhões em exportações, com setores como aço e alumínio sendo particularmente afetados. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que os EUA são o principal destino das exportações industriais brasileiras, especialmente de produtos de alta tecnologia, como os da Embraer, que podem sofrer com a nova taxação.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do MDIC, lamentou a decisão e afirmou que está avaliando todas as opções para garantir a reciprocidade no comércio bilateral. Entre as medidas consideradas estão a imposição de tarifas retaliatórias sobre produtos americanos, como já sinalizado pelo presidente Lula, que defendeu uma postura de “não ficar de joelhos” diante de ações unilaterais. A recente aprovação da Lei da Reciprocidade Comercial pelo Congresso, sancionada por Lula sem vetos, dá ao Brasil instrumentos legais para retaliar barreiras comerciais, incluindo a suspensão de importações ou a quebra de patentes, como ocorreu em 2009 na disputa do algodão com os EUA.
O governo também planeja recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), embora a entidade esteja enfraquecida pela paralisia promovida pelos próprios EUA. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que acumula o cargo de ministro do MDIC, tem liderado negociações com autoridades americanas para mitigar os impactos, enfatizando o equilíbrio na balança comercial bilateral, que registrou um superávit americano de US$ 7 bilhões em bens em 2024.
A tarifa agrava as tensões entre Brasil e EUA, já intensificadas por declarações de Trump em apoio a Bolsonaro e críticas às instituições brasileiras. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro convocou o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, para esclarecimentos após comentários do Departamento de Estado americano sobre o julgamento de Bolsonaro. A convocação reflete o descontentamento brasileiro com o que considera interferência em assuntos internos.
Analistas apontam que a decisão de Trump tem forte viés geopolítico, visando pressionar o Brasil em temas como a adesão aos BRICS e o uso de moedas alternativas ao dólar. Apesar disso, especialistas como Lia Valls, da FGV, sugerem que o Brasil pode buscar novos mercados, como a China e a União Europeia, para compensar perdas. A possibilidade de acelerar o acordo Mercosul-UE também foi mencionada como uma oportunidade estratégica.
A imposição da tarifa ocorre em um contexto de guerra comercial global, com os EUA aplicando taxas de até 145% sobre produtos chineses e 20% sobre importações europeias. Economistas alertam que as medidas de Trump podem gerar inflação nos EUA, aumentar custos para consumidores e desestabilizar cadeias globais de produção. No Brasil, setores produtivos temem perdas significativas, enquanto o governo avalia respostas que equilibrem firmeza e cautela para evitar uma escalada de tensões.
Veja a carta na íntegra:
9 de julho de 2025
Sua Excelência
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
Brasília
Prezado Sr. Presidente:
Conheci e tratei com o ex-Presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!
Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos (como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para tentar evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas a essa tarifa mais alta.
Além disso, tivemos anos para discutir nosso relacionamento comercial com o Brasil e concluímos que precisamos nos afastar da longa e muito injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil. Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco.
Por favor, entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual. Como o senhor sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas dentro do seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos e, de fato, faremos tudo o possível para aprovar rapidamente, de forma profissional e rotineira — em outras palavras, em questão de semanas.
Se por qualquer razão o senhor decidir aumentar suas tarifas, qualquer que seja o valor escolhido, ele será adicionado aos 50% que cobraremos. Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional!
Além disso, devido aos ataques contínuos do Brasil às atividades comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma investigação da Seção 301 sobre o Brasil.
Se o senhor desejar abrir seus mercados comerciais, até agora fechados, para os Estados Unidos e eliminar suas tarifas, políticas não tarifárias e barreiras comerciais, nós poderemos, talvez, considerar um ajuste nesta carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo, dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará decepcionado com os Estados Unidos da América.
Muito obrigado por sua atenção a este assunto!
Com os melhores votos, sou,
Atenciosamente,
DONALD J. TRUMP
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA