
– Dois cidadãos israelenses foram presos e interrogados pela polícia belga durante o festival de música eletrônica Tomorrowland, em Boom, Antuérpia, após serem denunciados por exibirem uma bandeira de uma unidade de infantaria das Forças de Defesa de Israel (IDF). A ação foi desencadeada por queixas da Hind Rajab Foundation, uma organização muçulmana que apoia a causa palestina, em conjunto com o grupo Global Legal Action Network (GLAN). As denúncias alegam que os indivíduos seriam responsáveis por supostas violações graves do direito humanitário internacional em Gaza, incluindo crimes de guerra. Após o interrogatório, os dois foram liberados, e a Procuradoria Federal de Bruxelas informou que não divulgará mais detalhes sobre a investigação neste momento.
A Hind Rajab Foundation, sediada na Bélgica e nomeada em homenagem a uma menina palestina supostamente morta por forças israelenses em Gaza, em janeiro de 2024, afirmou que identifica indivíduos por meio de postagens em redes sociais e classificou a bandeira da unidade de infantaria de Israel como “um símbolo de impunidade, destruição e limpeza étnica” e considerou a ação policial um “marco na busca global por justiça”. Desde sua criação em setembro de 2024, o grupo já apresentou cerca de mil queixas em oito países, visando cidadãos do estado Judaico.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou que os dois cidadãos, descritos como estando de férias, foram liberados logo após o interrogatório. Eden Bar Tal, diretor-geral do ministério, classificou a ação como um “golpe de publicidade” orquestrado por entidades com “conexões diretas com organizações terroristas”. A Associação Judaica Europeia também criticou a conduta das autoridades belgas, argumentando que os indivíduos estavam apenas expressando orgulho nacional em um evento cultural.
Caso Similar no Brasil
Este não é o primeiro caso em que cidadãos do estado judaico enfrentam ações legais no exterior. Em janeiro de 2025, o Brasil também tomou medidas o israelense, Yuval Vagdani, que estava de férias no país quando as autoridades brasileiras iniciaram um processo legal contra ele, acusando-o de envolvimento na destruição de casas em Gaza. Ele deixou o país antes que fosse preso.
O caso brasileiro gerou tensões, especialmente porque o Brasil reconhece o Hamas, grupo que controla Gaza, como um interlocutor na causa palestina. Essa postura tem sido interpretada por alguns como parte de uma política crescente de antissemitismo, que associa cidadãos israelenses, independentemente de sua situação, a crimes de guerra sem evidências públicas robustas, mas apenas por serem o que são. Críticos apontam que tais ações podem alimentar estigmas contra a comunidade judaica globalmente sob o pretexto de buscar justiça.
Os casos na Bélgica e no Brasil refletem o uso crescente do princípio de jurisdição universal, que permite a países processar indivíduos por crimes internacionais, independentemente de onde foram cometidos.
A Hind Rajab Foundation, descrita por críticos como uma organização com laços anti-Israel, intensificou sua campanha global, utilizando redes sociais para rastrear cidadãos israelenses. Embora o grupo afirme que suas ações visam justiça, a falta de transparência sobre as evidências apresentadas levanta questões sobre a legitimidade das denúncias.
Autoridades israelenses reforçam que suas forças seguem o direito internacional e investigam alegações de irregularidades, enquanto acusam grupos como a Hind Rajab Foundation de promoverem uma agenda política. A detenção de cidadãos israelenses em eventos culturais, como o Tomorrowland, ou durante viagens pessoais, como no Brasil, tem gerado preocupações sobre a segurança de israelenses no exterior e o risco de instrumentalização do direito internacional contra eles. A interseção desses eventos com a crescente polarização global sobre o conflito Israel-Palestina alimenta um debate delicado. Enquanto alguns veem as ações como passos legítimos para responsabilização, outros as interpretam como parte de um padrão de hostilidade que pode ser percebido como antissemitismo, especialmente em contextos onde grupos terroristas como o Hamas são legitimados politicamente e suas ações contra o povo Judeu são relativizadas.