JSNEWS – As tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, que entraram em vigor em abril de 2025 e foram intensificadas com anúncios de taxas de até 50% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil, já estão reverberando nos preços de produtos nos Estados Unidos. Economistas e consumidores estão começando a sentir os efeitos, com aumentos notáveis em bens essenciais e preocupações crescentes sobre a inflação. Fontes americanas, como o The Wall Street Journal e o The New York Times, apontam que, embora a economia não tenha colapsado como alguns temiam, os custos de itens do dia a dia estão subindo, impactando diretamente o bolso dos americanos.
De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, a inflação atingiu 2,7% em junho de 2025, um aumento em relação aos 2,4% do mês anterior, marcando o ritmo mais rápido desde fevereiro. Itens como roupas, café, frutas cítricas e móveis registraram altas significativas. O preço do café, por exemplo, subiu 2,2% de maio para junho, enquanto frutas cítricas tiveram aumento de 2,3%. Esses produtos, muitos dos quais importados de países como o Brasil, estão sofrendo o impacto direto das tarifas, que elevaram a taxa efetiva média para 20,6%, a maior desde 1910, segundo analistas da Fitch Ratings.
O The Wall Street Journal relatou que empresas como a Amazon ajustaram preços de produtos de baixo custo nos últimos cinco meses, após o primeiro anúncio de tarifas amplas por Trump. Esse movimento reflete uma tendência mais ampla: varejistas estão repassando os custos adicionais aos consumidores, especialmente em setores dependentes de importações, como brinquedos, onde quase 80% da produção vem da China.
As tarifas, que começaram com 10% em abril e agora incluem ameaças de até 50% a partir de 1º de agosto, afetam uma ampla gama de produtos. O café, um terço do qual vem do Brasil, é um exemplo crítico. A National Coffee Association, em colaboração com exportadores brasileiros, está trabalhando para mitigar o impacto, mas a alta de preços já é uma realidade. Além disso, a carne bovina, outro setor atingido, enfrenta pressões adicionais devido à redução histórica do rebanho americano, que já elevou os preços domésticos.
No setor de varejo, a incerteza gerada pelas tarifas está impactando o planejamento para a temporada de compras de fim de ano. Lojas relatam estoques reduzidos e menos opções de produtos, enquanto os preços de itens como brinquedos e eletrodomésticos subiram 1,8% e 1,9%, respectivamente. Consumidores entrevistados pelo The New York Times expressaram preocupação com aumentos imediatos em itens como legumes, frutas e até gasolina, sugerindo que o impacto das tarifas está se espalhando rapidamente.
Economistas têm alertado que as tarifas podem custar às famílias americanas cerca de US$ 2.800 por ano, conforme estimativas citadas pela BBC. Embora a Casa Branca argumente que as tarifas protegem a indústria nacional e geram receita, a visão predominante entre analistas é que os custos estão sendo absorvidos pelos consumidores americanos, e não pelos exportadores estrangeiros, como Trump sugere. Olu Sonola, chefe de pesquisa econômica da Fitch Ratings, destacou que há “indícios de inflação induzida pelas tarifas” em categorias como eletrodomésticos e móveis.
Além disso, o The Wall Street Journal observou que, apesar das previsões iniciais de colapso econômico, a economia americana tem mostrado resiliência, com empresas e consumidores se adaptando. No entanto, a confiança no mercado está sendo testada, especialmente com a ameaça de novas tarifas contra países como México e a União Europeia, anunciadas recentemente.
A decisão de Trump de impor tarifas, incluindo a taxa de 50% sobre o Brasil, foi justificada com argumentos de déficits comerciais e questões políticas, como o julgamento do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. No entanto, dados do governo brasileiro e análises americanas, como as da Amcham Brasil, mostram que os EUA mantêm um superávit comercial com o Brasil desde 2009, contradizendo a narrativa de Trump.
O The New York Times levantou preocupações sobre possíveis manipulações no mercado financeiro, apontando movimentações suspeitas na cotação do dólar após anúncios de tarifas. Essas operações sugerem que alguns investidores podem estar se beneficiando de informações privilegiadas, embora investigações sejam improváveis devido ao controle de Trump sobre órgãos reguladores.
Nas redes sociais, como o X, americanos relatam aumentos quase imediatos em produtos do dia a dia, como ovos, bacon e gasolina, alimentando o descontentamento com as políticas tarifárias. A percepção é de que, enquanto as tarifas visam fortalecer a indústria local, o custo imediato está recaindo sobre os consumidores, especialmente nas classes média e baixa.
As tarifas de Trump já estão remodelando o cenário econômico dos EUA, com impactos claros nos preços de bens essenciais. Embora a economia americana mostre resiliência, o aumento da inflação e a pressão sobre os consumidores levantam questões sobre a sustentabilidade dessas políticas. Com negociações em andamento com vários países, incluindo o Brasil, o futuro das tarifas permanece incerto, mas os americanos já sentem o peso no bolso.