JSNEWS – Em 24 de julho de 2025, o The Washington Post revelou que um memorando do ICE de 9 de junho orienta a expansão do uso de tornozeleiras eletrônicas, de 24 mil para cerca de 183 mil imigrantes no programa Alternatives to Detention (ATD). A medida, sob a administração Trump, visa intensificar a vigilância de imigrantes em processos de deportação, com foco em 1 milhão de deportações anuais. O memorando, assinado por Dawnisha M. Helland, instrui o uso de tornozeleiras em todos os participantes do ATD, exceto mulheres grávidas, que usarão dispositivos de pulso.
O programa ATD, embora mais econômico que detenções físicas, é criticado por imigrantes e defensores, como Laura Rivera da Just Futures, por causar desconforto físico, estigma social e violar a privacidade, especialmente de imigrantes sem antecedentes criminais. Dados do American Immigration Council mostram que 83% dos não detidos comparecem a todas as audiências judiciais.A expansão beneficia a Geo Group, que opera o ATD via sua subsidiária BI Inc.
A empresa, doadora de US$ 1,5 milhão à campanha de Trump, já emprega ex-funcionários do ICE, como Tom Homan. A BI, que recicla tornozeleiras antigas, enfrenta desafios para atender a demanda, levando o ICE a buscar novos fornecedores. Cada participante gera US$ 3,70 diários, potencializando milhões em receita.Casos como o de Paola, uma mãe hondurenha que cumpre todas as exigências, ilustram o impacto. Apesar de sua conformidade, ela recebeu uma tornozeleira, temendo deportação.
Advogados, como Annelise Araujo, questionam a necessidade de monitoramento intensivo para imigrantes estabelecidos. A política, que ignora práticas anteriores de reduzir restrições para os cumpridores, reflete a abordagem agressiva de Trump, mas enfrenta críticas por violar direitos civis.