
Novos dados mostram que as deportações sob a administração Trump em 2025 estão abaixo dos números registrados durante o mandato de Obama.
Trump prometeu deportar milhões de imigrantes indocumentados.
O ICE registrou cerca de 150.000 deportações, com média de 800 por dia, segundo a CBS News. Se mantida, a taxa projeta 300.000 remoções no primeiro ano de Trump em 2017. Durante Obama, o DHS deportou 2,8 milhões, com aumento de 389.843 remoções em 2009 até o pico de 435.498 em 2013, caindo para 240.255 em 2016.
O CBP registrou 112.000 deportações nos primeiros seis meses de 2025, focando migrantes na fronteira sul. Apesar do aumento, as deportações de Trump não superam o pico de Obama. A meta de 1 milhão de remoções anuais é desafiadora, limitada por capacidade de detenção. O “One Big Beautiful Bill” destina US$ 45 bilhões para expandir detenção a 100.000 leitos, US$ 14 bilhões para transporte e US$ 8 bilhões para 10.000 novos oficiais. Scott Mechkowski, ex-agente do ICE, disse à Newsweek que 1 milhão de remoções é “teoricamente possível, mas duvidoso”, sugerindo 500.000 a 600.000 como mais viável.
Comparação com o Pico de deportações da era Obama e a Falha na Reforma Migratória
Para avaliar o desempenho inicial da administração Trump em 2025, uma comparação justa requer o alinhamento temporal com o período de maior intensidade de deportações da administração Obama. O pico de deportações de Obama ocorreu em 2013, com 438.421 remoções formais, impulsionadas pelo programa Secure Communities, que priorizava a identificação de imigrantes indocumentados em prisões. Estima-se que, de março a agosto de 2013, Obama realizou cerca de 328.815 remoções e retornos (219.210 remoções formais + 109.605 retornos estimados).
Em contraste, de janeiro a julho de 2025, Trump registrou aproximadamente 318.467 remoções, retornos e autodeportações (174.800 remoções do ICE + 130.667 deportações do CBP + 13.000 autodeportações).
Obama supera Trump por uma margem pequena (10.348), refletindo a eficiência do Secure Communities e um maior fluxo migratório na época. No entanto, Trump está próximo desse pico, apesar de limitações como superlotação em centros de detenção (56.000 detidos contra 41.500 leitos).
Essa comparação foi feita porque os primeiros seis meses de 2025 representam o início do segundo mandato de Trump, e o período de maior deportação de Obama (março a agosto de 2013) serve como referência para avaliar o desempenho de Trump em um contexto de alta intensidade. Comparar períodos equivalentes elimina variáveis sazonais e contextuais, garantindo uma análise honesta, especialmente porque Trump ainda está no início de seu mandato e não pode ser comparado com os quatro anos completos de Obama (2009-2012, ~3,2 milhões de remoções e retornos).
Uma comparação de quatro anos será apropriada apenas quando Trump completar seu mandato em 2028, permitindo uma avaliação justa com o primeiro mandato de Obama.Vale notar, no entanto, que a administração Obama, apesar de seus altos números de deportação, desperdiçou uma oportunidade significativa para abordar a questão migratória de forma mais ampla. Durante os primeiros dois anos de seu primeiro mandato (2009-2010), o Partido Democrata controlou ambas as câmaras do Congresso — com 257 assentos na Câmara dos Representantes (maioria de 218 necessária) e até 60 assentos no Senado (maioria à prova de obstrução até janeiro de 2010).
Essa janela de controle total oferecia uma chance única para avançar uma reforma migratória abrangente, que poderia ter regularizado milhões de imigrantes indocumentados e reduzido a dependência em deportações massivas. Apesar disso, nenhuma legislação significativa foi aprovada, uma falha que críticos apontam como uma oportunidade perdida para resolver o sistema migratório disfuncional. Mesmo após 2010, quando os democratas mantiveram o controle do Senado até 2014, a falta de consenso bipartidário e a priorização de outras agendas e deixaram a reforma migratória de lado. Essa inação forçou a administração Obama a depender de medidas executivas, como o DACA emitida em 2012, e contribuiu para os altos números de deportação, que renderam a Obama o apelido de “Deportador-em-Chefe” entre ativistas.
Essa crítica sublinha a ironia de uma administração que, enquanto deportava milhões, não conseguiu reformar o sistema para oferecer soluções mais humanas e estruturais, deixando um legado de enforcement rigoroso sem avanços legislativos duradouros.