Por: Eliana Pereira Ignacio — Olá, meus caros leitores, hoje quero conversar com vocês sobre um tema que, à primeira vista, pode parecer desconfortável, mas que, quando bem compreendido, se torna libertador: o poder de dizer “não”. Desde cedo, muitos aprendem que recusar algo é egoísmo ou desrespeito. Acreditamos que amar é ceder sempre, aceitar tudo, estar disponível o tempo todo.
Com o tempo, percebemos que isso nos esgota, nos afasta de quem somos e pode gerar ressentimentos. Do ponto de vista psicológico, dizer “não” está ligado à assertividade — a habilidade de expressar sentimentos e necessidades com respeito, sem passividade nem agressividade. Segundo especialistas como Ana Beatriz Barbosa Silva, quem não estabelece limites vive em constante ansiedade, tentando agradar os outros. Pesquisas mostram que essa dificuldade pode levar à sobrecarga emocional, esgotamento e até depressão.
Dizer “não” não é rejeitar o outro, é cuidar de si. É preservar energia, autenticidade e paz. Aceitar tudo sem filtro nos sobrecarrega com compromissos e culpas que não são nossos. Aos poucos, perdemos o brilho e deixamos nossas necessidades de lado. O “não” é uma cerca saudável: delimita onde termina o outro e começa o nosso espaço. Protege nossas forças do excesso de demandas externas. Também há o “não” que educa.
Recusar um pedido de um filho ou amigo pode ensinar responsabilidade, crescimento e equilíbrio. O “não” mostra que desejos não são absolutos e que frustrações fazem parte da vida. No m, dizer “não” pode ser um dos maiores atos de amor — por nós e pelos outros. Se quiser, posso deixar ainda mais conciso ou adaptar para outro formato, tipo post de rede social, roteiro de vídeo ou até uma palestra. Quer experimentar?
O MEDO DE DECEPCIONAR
Talvez a parte mais difícil de aprender a dizer “não” seja lidar com o medo da reprovação. Muitos evitam negar pedidos porque temem ser vistos como frios, egoístas ou ingratos. Mas precisamos lembrar: quem realmente nos ama vai aprender a respeitar nossos limites.
E, se alguém só permanece ao nosso lado quando dizemos “sim” para tudo, esse relacionamento não é baseado em amor, mas em conveniência. Assumir o risco de decepcionar é, na verdade, uma forma de viver em liberdade e sinceridade.
Porque quando dizemos “não” de maneira honesta, estamos dizendo um “sim” maior: o “sim” à nossa verdade, ao nosso equilíbrio e à nossa saúde emocional.
COMO DIZER “NÃO” COM AMOR
Dizer “não” não precisa ser duro ou agressivo. Ele pode vir acompanhado de doçura, firmeza e respeito. Algumas formas práticas de exercitar isso são: · Seja claro e gentil: “Eu gostaria muito de ajudar, mas hoje não consigo.”
Ofereça alternativas, quando possível: “Não posso me comprometer com isso, mas posso indicar alguém que pode ajudar.” ·
Confie no silêncio: nem todo pedido exige uma resposta imediata. Às vezes, dar um tempo antes de aceitar ou recusar já nos ajuda a ser mais assertivos. Com o tempo, percebemos que o “não” bem colocado não fere – ele liberta.
O “NÃO” QUE ABRE ESPAÇO PARA O VERDADEIRO AMOR
No fundo, aprender a dizer “não” é também abrir espaço para o “sim” verdadeiro. O “sim” que não nasce da obrigação ou da culpa, mas da liberdade. Quando escolhemos ajudar, estar presentes ou ceder em algo, fazemos isso porque queremos, e não porque fomos pressionados. Esse “sim” é cheio de amor genuíno.
Portanto, da próxima vez que se sentir culpado por negar algo, lembre-se: talvez seu “não” seja exatamente o que aquela relação precisa para crescer com mais maturidade, respeito e equilíbrio. Em suma; dizer “não” não é afastar-se do amor, mas, muitas vezes, é a forma mais profunda de vivê-lo. É amar a si mesmo o suficiente para se proteger do excesso. É amar o outro o bastante para não reforçar atitudes de dependência ou egoísmo. É amar a relação a ponto de cultivá-la em verdade.
E como nos lembra a palavra: Que possamos, com sabedoria, aprender a usar tanto o “sim” quanto o “não” como instrumentos de amor e de autenticidade. “Seja o seu ‘sim’, sim, e o seu ‘não’, não; o que passar disso vem do maligno.” (Mateus 5:37).
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com