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Estudantes da Universidade de Boston (BU) reagiram com indignação após Zac Segal, presidente do BU College Republicans, assumir nas redes sociais ter denunciado ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) funcionários de um lava-rápido em Allston. A operação, realizada em 4 de novembro, resultou na detenção de nove trabalhadores, a maioria com autorização legal de trabalho e sem antecedentes criminais, conforme informado pelos advogados ao Boston Globe.
Segal publicou que vinha “ligando para o ICE há meses” e celebrou a ação como uma vitória.
Até a segunda-feira seguinte, três dos detidos já haviam sido libertados sob fiança. O caso gerou intensos debates no campus sobre liberdade de expressão, segurança comunitária e o papel da universidade na proteção de grupos vulneráveis. Diversos estudantes afirmaram ao Globe que a conduta de Segal não representa os valores da BU, instituição reconhecida pela alta diversidade étnica e presença de alunos internacionais.“Foi bem complicado. Mesmo que eles não fossem elegíveis para trabalhar, por que você está tentando arruinar a vida de outra pessoa sem motivo? Só parecia odioso”, declarou o estudante de administração Drew Pereira, 19 anos, em entrevista ao jornal. Ele reforçou que a atitude de Segal “não representa em absolutamente nada” a universidade.
A reitora Melissa L. Gilliam emitiu comunicado na sexta-feira afirmando que a BU busca “apoiar a segurança e o bem-estar de todos os membros da comunidade” e deve “afirmar a dignidade e o valor de todas as pessoas”. O texto, porém, não citou diretamente Segal nem a denúncia, o que foi criticado por vários alunos entrevistados pelo Globe.“Achei que poderiam ter condenado mais claramente”, disse Pereira.
A estudante Maya Nesbit, 21 anos, integrante do grupo estudantil Quinobequin Student Front for Palestine (descredenciado pela universidade no ano anterior), considerou a resposta “hipócrita”, apontando contradição entre a repressão a certos atos de ativismo político no campus e a tolerância à denúncia que, segundo ela, “incitou violência contra pessoas reais”. Outras vozes ouvidas pelo Boston Globe destacaram a dimensão racial do episódio. A caloura Daniela Benudiz, 18 anos, classificou a denúncia como “um ato repugnante baseado em preconceito” e disse sentir vergonha pelo ocorrido. Emily Rotondi, 21 anos, que cursa a mesma disciplina que Segal (“Democracia e Protesto no Sul Global”), descreveu como “irônico e doloroso” dividir sala com alguém que, em sua visão, trata a comunidade local de forma “alienante”.
Estudantes também organizaram arrecadações para custear defesa jurídica dos trabalhadores e uma petição exigindo que a BU se declare campus santuário e aplique medidas disciplinares contra Segal. Até o momento da publicação da matéria, a administração não havia comentado publicamente eventuais procedimentos internos. O Allston Car Wash divulgou nota afirmando que Segal nunca procurou o estabelecimento antes de rotular seus funcionários como “criminosos”, classificando a publicação como “irresponsável e angustiante”.Conforme relatado pelo Boston Globe, a frase que mais se repete entre alunos de diferentes origens é: “Isso não é quem a BU é – nem quem queremos ser.”
Fonte principal: Wesley, Nia; García, Marcela; Kool, Daniel. «‘This is not representative of a school like BU’: BU community reacts after student claims credit for Allston ICE raid». Boston Globe, novembro de 2025. Todas as citações diretas e informações factuais foram extraídas ou parafraseadas dessa reportagem original. https://www.bostonglobe.com


