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Teerã, 2 de janeiro de 2026 – O Irã inicia o ano de 2026 mergulhado em uma das piores crises de sua história recente, com protestos em massa que já duram mais de uma semana e resultaram em pelo menos sete mortes, incluindo manifestantes e um agente de segurança. O que começou como greves de comerciantes no Grande Bazar de Teerã, motivadas pela desvalorização recorde do rial iraniano, evoluiu para um movimento nacional que critica não apenas a economia colapsada, mas também as prioridades do regime, incluindo gastos elevados com programas militares e a suposta busca por armas de destruição em massa (ADM). Autoridades internacionais, como o presidente dos EUA, Donald Trump, trocaram ameaças com líderes iranianos, elevando as tensões globais.
Origens da Crise: Economia em Colapso e Descontentamento Popular
Os protestos eclodiram no final de dezembro de 2025, desencadeados pela queda abrupta do rial, que atingiu o mínimo histórico de cerca de 1,6 milhão por dólar americano no mercado aberto. Essa desvalorização agravou a hiperinflação, que supera os 40%, encarecendo alimentos, energia e bens essenciais para milhões de iranianos. Fontes indicam que a crise é agravada por sanções ocidentais impostas desde 2018, relacionadas ao programa nuclear do país, além de impactos de conflitos recentes, como os ataques aéreos israelenses e americanos em junho de 2025, que danificaram infraestrutura crítica.
As manifestações se espalharam de Teerã para províncias como Lorestan (cidades como Azna, Kuhdasht e Lordegan), Isfahan, Fars (Marvdasht) e outras regiões rurais, envolvendo comerciantes, estudantes, trabalhadores e até classes médias tradicionalmente aliadas ao regime. Slogans como “Pão, trabalho, liberdade” e “Nem Gaza, nem Líbano, dou minha vida pelo Irã” refletem a frustração com os subsídios cortados, apagões energéticos, escassez de água e poluição letal, que matam milhares anualmente.
Mídia estatal reporta um agente de segurança morto e 13 feridos em Lorestan, enquanto grupos de direitos humanos, como Hengaw e HRANA, estimam pelo menos seis a sete manifestantes mortos em confrontos com forças de segurança, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e a milícia Basij. Dezenas foram presas, e vídeos não verificados mostram tiroteios, incêndios em veículos e ataques a prédios governamentais.
O presidente reformista Masoud Pezeshkian, eleito em 2025 com promessas de alívio econômico, reconheceu as “demandas legítimas” dos manifestantes e anunciou medidas como a nomeação de um novo chefe do banco central e o fim de taxas de câmbio subsidiadas. No entanto, o governo impôs feriados forçados, fechou escolas e universidades em várias províncias (oficialmente por “condições climáticas”), e prometeu uma “resposta decisiva” a supostos agitadores estrangeiros. Diferentemente de protestos passados, como os de 2022-2023 após a morte de Mahsa Amini, a internet permanece amplamente acessível, mas a repressão continua.
Busca Desesperada por Armas de Destruição em Massa: Prioridade Militar em Meio ao Caos
Em paralelo à turbulência interna, o regime iraniano intensifica esforços em programas militares controversos, incluindo a suposta busca por ADM, o que agrava as sanções e o isolamento econômico. Relatórios recentes indicam que a IRGC acelera o desenvolvimento de ogivas químicas e biológicas para mísseis, em uma tentativa desesperada de fortalecer sua dissuasão regional amid a instabilidade doméstica. Embora Teerã negue intenções bélicas, insistindo em usos pacíficos para energia e medicina, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relata que o Irã acumulou urânio enriquecido a 60% – próximo ao nível armamentista de 90% – suficiente para até nove ogivas nucleares.
Essa priorização militar é criticada por desviar recursos do bem-estar social. O orçamento de defesa para 2025 foi triplicado, alcançando estimativas de US$ 23-46 bilhões, com grande parte direcionada à IRGC, mísseis, drones e apoio a proxies como Hezbollah e Houthis. Críticos internos e internacionais argumentam que esses gastos – equivalentes a até 47% das receitas de petróleo – sacrificam a população, onde 30-60% vive na pobreza, em favor de ambições ideológicas e de sobrevivência do regime. A crise atual é vista como um ciclo vicioso: sanções por programas nucleares pioram a economia, que por sua vez alimenta protestos, levando a mais investimentos em defesa.
Tensões internacionais escalam com ameaças mútuas. Trump alertou que os EUA intervirão se o regime matar manifestantes pacíficos e bombardearem se o Irã reconstruir capacidades nucleares. Israel, por meio da Mossad, expressou apoio aos protestos, alegando agentes no terreno e torcendo por mudança de regime. Países como China observam de perto, temendo paralelos com suas próprias vulnerabilidades econômicas.
Perspectivas: Risco de Escalada ou Reformas?
Analistas temem que a repressão intensifique, como nos protestos de 2022 que deixaram centenas mortos, ou que a crise leve a uma proliferação regional de ADM se o Irã avançar. No entanto, a adesão de classes médias e a abertura relativa à internet sugerem um movimento mais resiliente. Pezeshkian apela por unidade em meio a uma “guerra total” externa, mas sem alívio das sanções ou reformas profundas, o descontentamento pode persistir


