Londres, 2 de janeiro de 2026 – O Ministério da Justiça do Reino Unido concordou em pagar cerca de £241.500 (aproximadamente R$ 1,6 milhão) em indenização e custas judiciais a Fuad Awale, imigrante islâmico da Somalia, condenado, após ele processar o governo alegando violação de direitos humanos devido a “depressão grave” causada por confinamento solitário prolongado.
O acordo, revelado no final de dezembro de 2025, gerou indignação pública e críticas políticas, com opositores classificando a decisão como um “absurdo” que premia criminosos perigosos às custas dos contribuintes. Awale, de 38 anos, foi condenado em 2013 a no mínimo 38 anos de prisão por assassinar a tiros dois jovens (Mohammed Abdi Farah, 19, e Amin Ahmed Ismail, 18) em Milton Keynes, em uma disputa relacionada a drogas. Durante o cumprimento da pena, ele tomou um agente penitenciário como refém e exigiu a libertação do pregador radical Abu Qatada. Por riscos de segurança – incluindo ameaças de uma gangue prisional anti-muçulmana conhecida como “Death Before Dishonour” e preocupações com radicalização de outros detentos –, Awale foi mantido em segregação por longos períodos, chegando a mais de dois anos sem contato com outros presos em certas fases.
Ele invocou o Artigo 8 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (direito ao respeito pela vida privada e familiar), argumentando que a isolamento causou sofrimento mental severo. O pedido para associar-se a outros extremistas, como um dos assassinos do soldado Lee Rigby, foi negado por razões antiterrorismo. O High Court britânico deu razão a Awale em todos os pontos, levando o governo trabalhista de David Lammy a optar pelo acordo extrajudicial: £7.500 de indenização direta e £234.000 em custos legais.
Críticos, incluindo o conservador Robert Jenrick, chamaram o caso de “piada de mau gosto”, acusando o sistema de “mimar terroristas” enquanto ignora vítimas. Defensores do acordo argumentam que a segregação prolongada pode violar normas europeias, mesmo para presos de alto risco, e que o valor da indenização é “modesto” comparado aos custos de um julgamento completo. O caso reacende debates sobre a aplicação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos a condenados por terrorismo, com chamadas para reformas que limitem tais reivindicações.


