Nova York – O ex-ditador socialista da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, chegaram nesta segunda-feira (5 de janeiro de 2026) ao tribunal federal de Manhattan, em Nova York, para uma audiência inicial sobre acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e posse ilegal de armas. A sessão, marcada para o meio-dia (horário local), ocorreu sob forte escolta armada, após os dois serem transferidos de helicóptero do centro de detenção no Brooklyn.
A operação militar americana, realizada no fim de semana em Caracas, representou a maior intervenção dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989. Forças especiais invadiram a residência de Maduro, superando seu cordão de segurança, em uma ação que incluiu ataques a instalações militares e apagões na capital venezuelana.
Maduro, de 63 anos, ex-motorista de ônibus e sucessor designado por Hugo Chávez em 2013, enfrenta acusações baseadas em indiciamento de 2020, atualizado recentemente, que o descreve como líder de uma rede de tráfico de cocaína em parceria com cartéis mexicanos (Sinaloa e Zetas), as Farc colombianas e gangues venezuelanas como o Tren de Aragua. Ele sempre negou as alegações, qualificando-as como pretexto para ambições imperialistas sobre as reservas de petróleo do país – as maiores do mundo, com cerca de 303 bilhões de barris.
Detido no Metropolitan Detention Center em Brooklyn – prisão notória por condições precárias, já criticada por figuras como Ghislaine Maxwell –, Maduro deve permanecer em cela por longos períodos. A audiência perante o juiz Alvin K. Hellerstein foi procedural: os réus declararam-se inocentes, e o magistrado ordenou detenção preventiva sem fiança, citando risco de fuga.
Enquanto isso, na Venezuela, a vice-presidente Delcy Rodríguez, agora presidente interina por decisão do Supremo Tribunal, adotou tom mais conciliador. Após condenar inicialmente a captura como “sequestro colonial”, ela declarou no domingo que prioriza relações respeitosas com Washington. “Convidamos o governo dos EUA a trabalhar em uma agenda de cooperação. Nossos povos merecem paz e diálogo, não guerra”, afirmou Rodríguez, conhecida por seu pragmatismo apesar de raízes esquerdistas.
O presidente Donald Trump, que justificou a operação como resposta ao tráfico de drogas e à imigração venezuelana, ameaçou novas ações se Caracas não cooperar na abertura do setor petrolífero – em declínio há anos devido a má gestão e sanções. “Estamos no comando”, disse Trump, sinalizando interesse em explorar as reservas de petróleo pesado do Orinoco.
A oposição venezuelana, incluindo líderes como María Corina Machado, permanece à margem, enquanto o governo chavista continua no poder. Venezuelanos estocam suprimentos ante incertezas, mas as ruas estão calmas.
No plano internacional, o Conselho de Segurança da ONU debateu a legalidade da operação, com condenações fortes de Rússia, China e Cuba – que relatou 32 mortes de seus assessores de segurança. Aliados dos EUA foram mais cautelosos, pedindo diálogo. Mercados reagiram positivamente: bonds venezuelanos subiram, e preços do petróleo avançaram.
O caso marca um precedente raro de captura de chefe de Estado em exercício por forças americanas, comparado ao de Manuel Noriega. O julgamento pode se estender por anos, com debates sobre imunidade soberana e legalidade da ação militar.


