
Boston, 05 de Janeiro de 2026
Em dezembro de 2025, a rapper de Trinidad Tobag0, Nicki Minaj, residente permanente nos Estados Unidos desde a infância, surpreendeu fãs e críticos ao aparecer no evento conservador AmericaFest, organizado pela Turning Point USA. Durante a entrevista, ela elogiou o presidente Donald Trump, chamando-o de “incrível” e defendendo pautas conservadoras, como críticas a políticas de transição de gênero para menores. Essa guinada política, contrastando com declarações passadas contra as políticas anti-imigração de Trump, desencadeou uma onda de retaliação online. Duas petições principais no site Change.org, iniciadas por usuários anônimos, pedem a deportação de Minaj de volta a Trinidad e Tobago, citando seu apoio a figuras conservadoras, suposto “comportamento errático” e controvérsias pessoais, como o casamento com Kenneth Petty. Até o início de janeiro de 2026, essas petições acumularam mais de 120 mil assinaturas combinadas, com picos após a aparição dela no evento.
Embora simbólicas e sem base legal – já que opiniões políticas são protegidas pela Primeira Emenda, mesmo para imigrantes com green card –, as campanhas refletem uma divisão profunda na base de fãs da artista, especialmente entre comunidades progressistas e LGBTQ+, que a viam como ícone de empoderamento.
Mas o que começa como mera indignação revela camadas mais sombrias de hipocrisia e “ódio do bem”, onde sinalizadores de virtude – aqueles que ostentam moralidade nas redes para ganhar aprovação social – viram as costas para princípios fundamentais que dizem defender. Esses mesmos ativistas, que historicamente marcham contra deportações em massa promovidas por Trump e gritam “ninguém é ilegal” em defesa de imigrantes vulneráveis, agora compilam petições que funcionam como listas informais de “indesejados” baseadas puramente em discordância ideológica.
No caso de Minaj, uma imigrante negra que entrou ilegalmente aos 5 anos e construiu uma carreira bilionária, o ódio é justificado como “justiça”: ela “traiu” a causa ao elogiar Trump e questionar narrativas progressistas sobre gênero, tornando-se alvo de cancelamento seletivo.
Essa seletividade expõe a fragilidade da virtude performática: princípios como liberdade de expressão e direitos de imigrantes são defendidos apenas quando convenientes, abandonados quando o “inimigo” é alguém que ousou mudar de lado.
O que seria se listas semelhantes fossem criadas por conservadores contra imigrantes progressistas? A indignação seria unânime. Aqui, porém, o “ódio do bem” floresce impune, disfarçado de ativismo, mas revelando um tribalismo tóxico que erode a democracia – punindo opiniões em vez de crimes, e transformando redes sociais em tribunais virtuais onde a hipocrisia reina soberana.
No fim, essas petições não deportarão ninguém, mas escancaram como o virtue signaling, sinalização de virtude, pode se tornar uma ferramenta de opressão, traindo os valores que finge proteger.


