
Boston, 8 de janeiro de 2026 –
Um tiroteio fatal envolvendo um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) dos EUA resultou na morte de Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, na terça-feira, 7 de janeiro de 2026, no sul de Minneapolis. O incidente, ocorrido durante uma operação em grande escala de aplicação da lei de imigração, gerou protestos intensos, cancelamento de aulas escolares e um debate nacional sobre o uso de força por agentes federais. Autoridades federais afirmam que Good tentou atropelar agentes com seu veículo, enquanto líderes locais e vídeos de testemunhas sugerem que o disparo pode ter sido excessivo.
O evento ocorreu por volta das 14h, próximo à East 34th Street e Portland Avenue, uma área conhecida por sua comunidade diversificada e histórico de tensões com a aplicação da lei. De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), Good, que estava em um SUV, bloqueou uma rua durante uma operação de deportação e, ao ser abordada, acelerou em direção aos agentes, ferindo um deles levemente. O agente abriu fogo em autodefesa, atingindo Good, que morreu no local. O presidente Donald Trump e a secretária do DHS, Kristi Noem, defenderam a ação como necessária para proteger os oficiais, rotulando-a como um ato de “terrorismo doméstico”.
No entanto, o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, contestaram veementemente essa narrativa. Walz, que ativou a Guarda Nacional para possíveis distúrbios, afirmou que vídeos de vigilância mostram Good tentando fugir devagar, sem intenção clara de atropelamento. Frey chamou a versão federal de “propaganda” e exigiu a retirada imediata do ICE da cidade, dizendo: “Get the fck out of Minneapolis”. Protestos eclodiram imediatamente, com milhares marchando, vigílias e confrontos leves com a polícia, incluindo o uso de gás lacrimogêneo. Escolas públicas de Minneapolis cancelaram aulas até segunda-feira por razões de segurança. Até o momento, o FBI investiga o caso, mas não há acusações contra o agente.
Good, uma mãe de três filhos, poeta e ativista comunitária originária do Colorado, não era o alvo da operação e não tinha histórico criminal grave. Sua família descreveu-a como alguém que “cuidava dos vizinhos” em meio à presença maciça de agentes federais na cidade, parte de uma “surge” de deportações sob o governo Trump. O incidente destaca tensões crescentes em “cidades santuário” como Minneapolis, onde políticas locais limitam a cooperação com o ICE.
Padrão de Incidentes Semelhantes em 2025
O caso de Minneapolis não é isolado. Em 2025, o ano inaugural do segundo mandato de Trump, houve um aumento reportado em confrontos envolvendo agentes do ICE e Border Patrol, particularmente em situações com veículos. Relatórios investigativos, como o do The Trace, documentaram pelo menos 14 tiroteios relacionados a operações de imigração, com pelo menos quatro fatais ou graves envolvendo alegações de resistência veicular. Esses incidentes frequentemente envolvem agentes federais abordando indivíduos que não obedecem ordens, com carros supostamente usados como “armas”, embora vídeos nem sempre corroborem as narrativas oficiais. Abaixo, quatro casos notáveis em locais diferentes, destacando elementos comuns: envolvimento de agentes federais, desobediência a comandos, alegações de uso de veículos contra oficiais e evidências em vídeo de tentativas de atropelamento ou fuga.
1. Franklin Park, Illinois (12 de setembro de 2025): Durante a “Operation Midway Blitz” em subúrbios de Chicago, o imigrante mexicano Silverio Villegas-González, 38 anos, foi morto a tiros por um agente do ICE após uma parada de trânsito.
O DHS alegou que Villegas-González resistiu à prisão, deu ré e acelerou em direção aos agentes, arrastando um deles. Vídeos de bodycam mostraram o veículo se movendo, confirmando uma tentativa de fuga que resultou em ferimentos leves ao agente. O caso gerou protestos locais e críticas à falta de câmeras corporais no ICE.

2. Brighton Park, Chicago, Illinois (outubro de 2025): Marimar Martinez, uma cidadã americana de 29 anos, foi baleada cinco vezes (não fatal) enquanto supostamente alertava a comunidade sobre a presença do ICE. Autoridades federais afirmaram que ela desobedeceu ordens para parar, usando seu carro para “emboscar” agentes em uma tentativa de atropelamento.
Vídeos de vigilância capturaram o veículo avançando em direção aos oficiais, embora críticos argumentem que foi uma fuga precipitada. Martinez sobreviveu, mas o incidente destacou preocupações com táticas agressivas do ICE.
3. Anne Arundel County, Maryland (24 de dezembro de 2025): Em uma operação de imigração na véspera de Natal, agentes do ICE atiraram em um veículo em movimento, ferindo gravemente dois ocupantes (um motorista e um passageiro). O DHS relatou que o motorista ignorou comandos para parar e dirigiu em direção aos agentes, configurando uma tentativa de atropelamento. Vídeos de dashcam e testemunhas mostraram o carro acelerando após a abordagem, resultando em tiros para imobilizar o veículo. A polícia local e o FBI investigam, com chamadas para maior transparência.
4. San Diego, Califórnia (novembro de 2025): Durante uma perseguição fronteiriça, um imigrante hondurenho não identificado foi morto por agentes da Border Patrol (parte do DHS, similar ao ICE). Oficiais alegaram que o motorista desobedeceu ordens de parada e virou o veículo em direção a eles em uma tentativa de atropelamento. Vídeos de drones capturaram o momento, mostrando o carro manobrando agressivamente antes dos disparos. O caso, investigado pela Human Rights Watch, gerou protestos na fronteira e debates sobre o uso de força letal em operações de rotina.
Esses casos ilustram um padrão: em cada um, agentes federais relataram resistência veicular como justificativa para o uso de força, com vídeos frequentemente confirmando movimentos de veículos, mas também levantando questões sobre proporcionalidade. O DHS citou um “aumento em assaltos contra agentes” em 2025, embora dados independentes sejam limitados e contestados. Críticos, incluindo organizações como a NPR e a Human Rights Watch, argumentam que táticas do ICE estão se tornando mais agressivas sob a administração Trump, enquanto defensores enfatizam a necessidade de proteção aos oficiais em ambientes hostis.
Contexto Político e Recomendações
O governador Walz, que serviu como vice na chapa democrata derrotada por Trump em 2024, tem enfrentado escrutínio separado por um escândalo de fraude em programas de assistência infantil e welfare em Minnesota, envolvendo alegações de desvio de fundos federais por centros administrados por comunidades somalis. Investigadores federais, incluindo o FBI, estão apurando o caso, que resultou em dezenas de indiciamentos e na decisão de Walz de não buscar reeleição. Walz negou irregularidades e atribuiu as acusações a retórica anti-imigrante, mas o timing coincidiu com críticas à sua resposta ao ICE, levando a debates sobre se as tensões imigratórias estão sendo usadas para desviar atenção de questões locais.
Especialistas em aplicação da lei enfatizam a importância de cooperação com autoridades para evitar escaladas perigosas, notando que resistência – mesmo não violenta – pode transformar interações rotineiras em tragédias. Ao mesmo tempo, ativistas e líderes comunitários pedem reformas para reduzir o uso de força letal, promovendo diálogo em vez de polarização. Independentemente das visões políticas, esses incidentes destacam a necessidade de transparência, como o uso obrigatório de bodycams pelo ICE, para reconstruir confiança pública.
As investigações continuam em todos os casos, com crescentes pedidos por audiências no Congresso americano para avaliar as táticas usadas nas operações de imigração. Mas vamos falar claro, especialmente para nós brasileiros e para as comunidades de imigrantes aqui no Brasil ou nos EUA: é fundamental educar todo mundo — principalmente quem veio de países onde polícia muitas vezes é vista como ameaça, corrupta ou até criminosa — sobre a importância de obedecer às ordens das autoridades. Resistir, mesmo achando que está certo, pode transformar uma abordagem comum em tragédia. Não vale o risco. Cooperação salva vidas. Ninguém quer ver mais famílias destruídas por causa de um momento de impulso.


