Da redação
A imagem do corte de fita em uma movimentada rua de Massachusetts simboliza mais do que a inauguração de um escritório. Ela marca um capítulo decisivo na trajetória de Tiago Prado, imigrante brasileiro que construiu, nos Estados Unidos, uma empresa de seguros adquirida por um dos maiores grupos do setor no país.
Tiago chegou aos EUA ainda adolescente, sem falar inglês e enfrentando as dificuldades comuns a milhares de imigrantes brasileiros. Abandonou o ensino médio, trabalhou em empregos manuais e viveu por anos sem garantia de estabilidade financeira. A virada começou quando decidiu concluir o GED, equivalente ao diploma do ensino médio americano, dando início a um caminho que mudaria completamente sua trajetória.
Com disciplina e foco nos estudos, Tiago foi aceito na Tufts University, onde se formou e desenvolveu uma base sólida em economia, finanças e pensamento estratégico. A experiência acadêmica, somada à vivência prática como imigrante, despertou nele uma percepção clara: havia uma lacuna enorme no mercado de seguros para atender brasileiros e latinos que não entendiam o sistema americano, mas precisavam dele para trabalhar, empreender e viver com segurança.
O sucesso de Prado não é uma celebração do sistema; é uma acusação de suas falhas. Ele não inventou uma nova tecnologia ou um instrumento financeiro revolucionário. Ele simplesmente identificou uma flagrante ineficiência de mercado: o setor de seguros americano estava falhando em atender à vasta e crescente população latina do país. Sua inovação não foi um produto, mas um modelo de negócio construído sobre a ideia radical de falar com os clientes em seu próprio idioma e explicar as complexidades arcanas dos seguros.
O fato de uma empresa poder prosperar simplesmente oferecendo atendimento básico ao cliente e tradução é revelador. Expõe uma negligência estrutural que criou uma lucrativa oportunidade de arbitragem para um empreendedor perspicaz o suficiente para identificá-la. A jornada de oito anos de uma startup até uma saída para o private equity é um testemunho da habilidade de Prado, mas também mede a escala da inércia e indiferença da indústria estabelecida.
Com a ampliação do público atendido, a empresa passou por um reposicionamento de marca e tornou-se Breezy Seguros, reforçando a missão de simplificar o acesso ao seguro e ampliar seu alcance para além da comunidade brasileira. O crescimento foi constante e sustentado, sem perder o vínculo local que marcou sua origem.
Após oito anos de operação, a trajetória alcançou um novo patamar. Em 2025, a BRZ Insurance, atual Breezy Seguros, foi adquirida pela Trucordia, uma das maiores plataformas de seguros dos Estados Unidos. A Trucordia é backed por um fundo global de private equity com mais de US$ 400 bilhões sob gestão, o Carlyle Group, um dos maiores investidores institucionais do mundo.
A aquisição representa um reconhecimento institucional da empresa construída por Tiago Prado e de seu modelo de negócios. A Breezy passa a integrar uma plataforma nacional, mantendo sua identidade local e ampliando o acesso a recursos, tecnologia e novas oportunidades de crescimento, sem perder o foco no atendimento próximo à comunidade.
Para a comunidade brasileira e latina nos Estados Unidos, a história tem um peso simbólico importante. Um negócio fundado por um imigrante, com base em necessidades reais da comunidade, atinge o nível de uma transação com um grupo de alcance nacional. Mais do que um exit financeiro, trata-se da validação de um projeto construído com disciplina, planejamento e visão de longo prazo.
Hoje, a trajetória de Tiago Prado é vista como um exemplo para outros imigrantes que desejam empreender nos EUA. Sua história mostra que o sonho americano não se sustenta apenas no trabalho duro, mas também na educação, na estrutura e nas decisões consistentes ao longo do tempo.


