
Boston, 10 de Fevereiro de 2026
Uma possível chapa presidencial democrata composta por Kamala Harris na cabeça de lista e Alexandria Ocasio-Cortez (AOC) como vice vem ganhando força notável nos bastidores do partido, conforme especulações recentes em círculos políticos e na mídia. Com Harris sinalizando um retorno à arena política num momento em que AOC esta considerando voos mais altos para 2028, analistas apontam que essa dupla poderia emergir como uma opção viável para os democratas, especialmente após a reeleição sem oposição de prefeitos progressistas e o reposicionamento de figuras como Gavin Newsom.
Mas convenhamos, prezados leitores, essa “força” que a chapa Harris-AOC adquire é menos um sopro de renovação e mais um suspiro de desespero em um partido que ainda lambe as feridas da surra eleitoral de 2024. Kamala Harris, a eterna vice que se tornou candidata e depois meme ambulante, agora flerta com um “tour da redenção” — como se o eleitorado americano precisasse de mais uma dose de retórica vazia para esquecer o caos que ela semeou como a autoproclamada “czar das fronteiras”. Lembremos: sob sua gestão, as políticas imigratórias viraram um circo de horrores, com milhões cruzando a fronteira sul em um fluxo descontrolado que sobrecarregou comunidades, inchou o crime e obrigou a administração atual a correr atrás do prejuízo com medidas que beiram o tardio heroísmo. E tudo isso embalado no manto das políticas “woke”, que tanto rejeição geraram entre os eleitores moderados, aqueles que não compram a narrativa de um país irremediavelmente opressor.
Agora, adicione ao coquetel Alexandria Ocasio-Cortez, a congressista de Nova York que elevou o radicalismo a arte performática. AOC, com sua retórica inflamada, não hesita em pintar os Estados Unidos como um antro de racismo sistêmico, acusando republicanos de islamofobia e discriminação a cada oportunidade — como se o Congresso fosse um palco para monólogos de vitimização em vez de debates construtivos. Ela clama contra um sistema que, supostamente, nutre preconceitos contra minorias, mas convenhamos: quem é AOC senão a filha de imigrantes porto-riquenhos, nascida no Bronx, que ascendeu à Câmara dos Representantes eleita pelo mesmo povo que ela acusa de ser intrinsecamente preconceituoso? Uma contradição ambulante, que transforma sucesso pessoal em prova de falha coletiva, tudo para alimentar uma base que adora slogans mas foge de soluções reais.
E o que dizer de Kamala Harris? Filha de imigrantes jamaicano e indiana, que navegou pelo sistema educacional americano, construiu uma carreira como promotora, senadora e vice-presidente — tudo isso em um país que, segundo sua própria narrativa “woke”, é racista até o osso. Como ela ousa, então, replicar as lamúrias de AOC sobre um Estados Unidos opressor, quando sua trajetória é o testemunho vivo das oportunidades que esse mesmo país oferece? É o auge da hipocrisia: duas mulheres de minorias étnicas, empoderadas pelo sonho americano, que agora o vilanizam para ganhar likes e votos da ala radical do partido. Um dueto que mais parece uma sátira involuntária, onde o radicalismo encontra o fracasso eleitoral e decide dançar um tango sobre as cinzas da moderação democrata.
No entanto, essa pode ser, de fato, a melhor cartada dos democratas para 2028 — ou, pelo menos, a menos pior. Contra a chapa republicana com JD Vance e talvez Marco Rubio, que une o vigor trumpista à astúcia latina e ao apelo suburbano, Harris e AOC representam o ápice do progressismo performático: histórico, sim, com uma mulher negra e uma latina no topo, mas carregado de bagagem que repele os indecisos. Se os democratas apostarem nisso, os republicanos podem até agradecer — afinal, nada como um adversário que se autodestrói com retórica divisiva para garantir mais quatro anos na Casa Branca. Resta ver se o partido da mula aprende com o passado ou insiste no erro, mas uma coisa é certa: essa “realidade ganhando força” cheira mais a delírio coletivo do que a estratégia vencedora.


