Washington, 20 de fevereiro de 2026 – A administração do presidente Donald Trump anunciou planos para expandir nacionalmente a abordagem de enforcement imigratório adotada por Tom Homan em Minneapolis, marcando uma transição para operações mais direcionadas e de baixo perfil. De acordo com fontes do Departamento de Segurança Interna (DHS), o “manual” de Homan, que prioriza alvos específicos como ameaças à segurança pública e nacional, será aplicado em múltiplas cidades grandes, após o encerramento da operação “Metro Surge” em Minnesota.
A decisão vem na sequência do anúncio feito por Homan na semana passada, de que a surge massiva de agentes federais no estado seria concluída. Iniciada em janeiro como resposta a um escândalo de fraude em benefícios sociais envolvendo comunidades imigrantes, a operação chegou a mobilizar cerca de 3.000 agentes, resultando na remoção de mais de 1.000 indivíduos indocumentados, com centenas de deportações adicionais planejadas para os próximos dias. Homan, nomeado “border czar” por Trump, citou uma “cooperação sem precedentes” com autoridades locais, incluindo xerifes e prisões estaduais, como fator chave para o drawdown – uma redução gradual que já retirou mais de 1.000 agentes, deixando um “footprint normal” de cerca de 150, além de uma pequena força de segurança residual temporária para lidar com potenciais agitadores.
Os números oficiais da Casa Branca destacam o foco em “public safety threats”: cerca de 70% das prisões envolveram imigrantes com histórico criminal nos EUA, incluindo membros de gangues e condenados por crimes violentos. A operação, no entanto, não foi isenta de controvérsias. Incidentes como os tiroteios fatais envolvendo dois cidadãos americanos – Renee Good, mãe de três filhos, morta em 7 de janeiro, e Alex Pretti, enfermeiro, morto em 24 de janeiro – geraram protestos intensos, investigações internas e uma queda na aprovação pública da abordagem inicial, caracterizada por varreduras amplas e visibilidade midiática.
Agora, com o fim da surge confirmado por Homan em entrevistas recentes, o governo planeja replicar o modelo em cidades como Chicago, Los Angeles e Nova York, mantendo a ênfase em inteligência prévia, prisões controladas e inclusão de “collaterals” – imigrantes indocumentados encontrados durante operações contra alvos prioritários – sem as ações indiscriminadas que marcaram o início da campanha. “Estamos enforceando a lei de imigração sem desculpas”, declarou Homan em uma aparição recente, rebatendo críticas democratas e enfatizando que a mudança não representa um recuo, mas uma execução mais inteligente.
Mas vamos além dos fatos. O que chama atenção nessa virada é o papel surpreendente de Tom Homan como a voz da moderação dentro da administração Trump. Quem diria que o ex-diretor interino da ICE, conhecido por sua linha dura e defesa intransigente de deportações em massa, emergiria como o “adulto na sala”? Após o caos inicial em Minneapolis – com imagens de confronto que ofuscaram a mensagem de segurança e irritaram até o próprio Trump –, Homan assumiu o controle e implementou uma estratégia cirúrgica: targeted enforcement, baseado em dados, longe dos holofotes das redes sociais. Ele não só negociou parcerias com líderes democratas em um estado azul como Minnesota, mas também aumentou a presença de investigações internas para coibir abusos, evitando novos escândalos que poderiam implodir a agenda imigratória.
Essa moderação na execução – não na ideologia – é exatamente o que fortalece o plano de Trump. Em vez de “caos em massa”, Homan entrega deportações em massa de forma sustentável, incentivando a autodeportação por medo constante, sem alienar o eleitorado moderado que apoia a lei, mas rejeita a militarização das ruas. Críticos da base mais radical podem reclamar de “amolecimento”, mas a realidade é clara: continuar no estilo agressivo de Gregory Bovino teria custado caro em termos políticos, com mais protestos, hearings no Congresso e perdas nas midterms.
Homan, ao rebater democratas como hipócritas – “Eles nos chamam de nazistas por enforcear a lei que eles mesmos escreveram” –, não só defende sua abordagem, mas a posiciona como inevitável e justa. Essa é a surpresa positiva: em uma administração marcada por polêmicas, Homan surge como o pragmático que transforma promessas eleitorais em resultados reais, sem queimar capital político. Se essa tática se espalhar pelo país, poderemos ver uma política imigratória mais eficaz e menos divisiva – um raro sopro de racionalidade em tempos turbulentos.


