JSNEWS (JUNOT)
Em um evento promocional de seu novo livro de memórias, “Young Man in a Hurry”, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, dirigiu-se a uma audiência predominantemente negra em Atlanta, na Geórgia, no último domingo, 22 de fevereiro de 2026. Durante uma conversa com o prefeito local, Andre Dickens, que é negro, Newsom buscou estabelecer uma conexão pessoal ao compartilhar desafios acadêmicos de sua juventude, incluindo uma pontuação baixa de 960 no SAT – exame padronizado de admissão universitária nos EUA, cuja nota máxima é 1600 – e dificuldades com leitura devido à dislexia. Ele afirmou: “Não estou tentando impressionar vocês. Estou só tentando dizer que sou igual a vocês. Não sou melhor que vocês. Sou um cara de 960 no SAT […] Vocês nunca me viram ler um discurso porque eu não consigo ler um discurso”. O evento ocorreu no Rialto Center for the Arts, como parte de uma turnê que muitos veem como preparatória para uma possível candidatura presidencial em 2028.
O contexto da fala remonta à trajetória pessoal de Newsom, que já havia mencionado publicamente sua dislexia em entrevistas anteriores, como em 2019 ao The New York Times, e em podcasts. Ele usou o exemplo para ilustrar superação de obstáculos, argumentando que sua condição o torna “relatável” e não superior a ninguém. No entanto, o tom e o timing – dirigido especificamente a uma plateia negra em um estado como a Geórgia, com histórico de lutas por direitos civis – geraram interpretações variadas. Críticos, especialmente de círculos conservadores, viram os comentários como uma forma de condescendência, insinuando estereótipos negativos sobre a capacidade intelectual de afro-americanos. A repercussão foi imediata nas redes sociais, com clipes virais acumulando milhões de visualizações. A rapper Nicki Minaj, por exemplo, criticou no X (antigo Twitter): “Sua forma de se conectar com pessoas negras é contar como ele é burro e que não consegue ler […] Ele está literalmente falando mais devagar para fazer eles entenderem”.
Outros usuários destacaram a ausência de diversidade em eventos de Newsom, sugerindo que ele não interage genuinamente com comunidades negras fora de contextos eleitorais. Mídia conservadora rotulou o incidente como “racismo liberal em exibição”, enquanto veículos mais liberais, como CNN, tentaram contextualizar como uma demonstração de empatia com “aqueles deixados para trás em um país racista”. Newsom rebateu as acusações em postagens no X, chamando a polêmica de “falsa” e reiterando que se tratava apenas de sua dislexia, algo que ele já discutira com críticos conservadores como Charlie Kirk anos antes.
Mas permitam-me, caro leitor, uma análise mais refinada, no espírito de uma observação jornalística que vai além do factual para sondar as entranhas do poder. Aqui, desvela-se o verdadeiro pensamento da elite democrata, encarnada em figuras como Gavin Newsom, Barack Obama, Hillary Clinton e até o agora octogenário Bernie Sanders, cuja retórica progressista por vezes soa mais como um eco senil de ideais juvenis do que como ação concreta. Essa elite, moldada em universidades de Ivy League e cercada por privilégios herdados – Newsom, filho de um juiz e neto de um político influente, é o epítome disso –, enxerga as minorias não como iguais plenos, mas como uma subclasse perpetuamente vitimada, necessitando de sua “empatia” paternalista. É o clássico “bigotry of low expectations”, ou preconceito das baixas expectativas: ao equiparar sua dislexia a supostas lutas coletivas de uma audiência negra, Newsom não eleva; ele rebaixa, insinuando que dificuldades acadêmicas são o padrão, não a exceção.
Obama, com seus discursos sobre “esperança”, frequentemente romantizava narrativas de superação racial sem confrontar as raízes sistêmicas que sua própria ascensão privilegiada contornou. Clinton, com sua campanha de 2016, tratava eleitores negros como um bloco monolítico, prometendo favores em troca de votos. Sanders, por sua vez, com sua cruzada anticapitalista, ignora que sua visão utópica frequentemente ignora as aspirações individuais de minorias que buscam mobilidade social, não assistencialismo eterno. Essa elite democrata, em suma, professa igualdade enquanto pratica uma forma sutil de superioridade moral, vendo-se como salvadores iluminados de uma massa que, em sua visão distorcida, precisa ser “educada” – ou, no caso de Newsom, “relatada” por meio de anedotas que beiram o insulto.
Agora, imagine se fosse Donald Trump proferindo algo similar: “Ei, gente, sou como vocês – tirei nota baixa no SAT e mal leio discursos!” A imprensa “woke”, com sua fúria seletiva, o crucificaria como o ápice do racismo, com manchetes estridentes em MSNBC e Washington Post o pintando como um supremacista branco desmascarado. Ou Marco Rubio, o senador cubano-americano: se ele tentasse se “relacionar” dessa forma com uma audiência latina, seria acusado de internalizar opressão colonial, virando piada em late-night shows. E J.D. Vance, o autor de “Hillbilly Elegy” que ascendeu da pobreza appalachiana? Se ele dirigisse tal fala a uma plateia branca pobre, seria demonizado como elitista fingindo humildade, com analistas progressistas o rotulando de hipócrita por sua aliança com Trump. Mas como é Newsom, um democrata ungido, o establishment midiático gira o foco: é “empatia”, não ofensa; “conexão humana”, não condescendência. Isso reforça uma verdade amarga: não é o que é falado, mas quem fala. Me lembra a frase icônica de “A Revolução dos Bichos” (1945), de George Orwell: “Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros”. Ela simboliza a corrupção do poder, onde líderes autoritários – ou, no caso, elites políticas – criam privilégios próprios após prometerem igualdade, ironizando sociedades que defendem a igualdade perante a lei enquanto a praticam de forma desigual. Na América de 2026, os democratas “mais iguais” escapam do escrutínio que reservam aos rivais, perpetuando um paradoxo que Orwell certamente veria com um sorriso sardônico.


