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Teerã e Washington rejeitaram, nesta segunda-feira (6), a proposta de cessar-fogo imediato elaborada pelo Paquistão, frustrando mais uma tentativa de mediação para encerrar o conflito direto entre os dois países, que já dura cerca de cinco semanas.
A iniciativa paquistanesa, articulada principalmente pelo chefe do Exército, marechal Asim Munir, previa um acordo em duas etapas: um cessar-fogo imediato — que entraria em vigor ainda nesta segunda-feira — seguido da reabertura do **Estreito de Ormuz** (por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial) e, em seguida, negociações para um acordo mais amplo, a ser concluído em 15 a 20 dias.
Fontes familiarizadas com as discussões afirmam que o plano foi compartilhado durante a madrugada com autoridades americanas (incluindo o vice-presidente JD Vance e o enviado especial Steve Witkoff) e o chanceler iraniano Abbas Araqchi. No entanto, tanto o Irã quanto os Estados Unidos sinalizaram rejeição aos termos propostos.
Do lado iraniano, autoridades indicaram que não aceitam condições que consideram desequilibradas, especialmente a exigência de reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz sem garantias concretas de alívio de sanções ou fim das ameaças militares americanas. Teerã tem repetido que só encerrará as hostilidades quando suas próprias condições forem atendidas, e que continuará se defendendo enquanto o conflito persistir.
Do lado americano, o presidente Donald Trump ainda não aprovou o plano, segundo informações da Casa Branca repassadas à imprensa. Trump tem mantido tom duro, ameaçando intensificar os ataques — incluindo alvos como pontes e usinas de energia — caso o Irã não reabra o estreito até o fim desta terça-feira (7).
A proposta paquistanesa era vista como uma das últimas tentativas diplomáticas antes de possível escalada maior no conflito, que já envolveu ataques diretos, troca de mísseis e impacto significativo nas rotas comerciais globais de energia.
Analistas avaliam que a rejeição bilateral dificulta ainda mais as negociações e aumenta o risco de prolongamento da guerra no Oriente Médio. Paquistão, que mantém relações relativamente boas tanto com Washington quanto com Teerã, posicionou-se como mediador neutro, mas agora vê seus esforços chegarem a um impasse momentâneo.
O conflito, que começou com escalada entre Irã e Israel e se ampliou com envolvimento direto dos EUA, já causa preocupação global por seus efeitos no preço do petróleo e na estabilidade regional.


