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Washington– Contrariando a retórica da administração Trump de priorizar os “piores dos piores”, os dados dos tribunais de imigração revelam que a esmagadora maioria das ações de deportação continua focada em violações administrativas, e não em atividade criminal.
Em fevereiro de 2026, o Departamento de Segurança Interna (DHS) protocolou apenas 741 intimações (NTAs) fundamentadas em suposta conduta criminal. Isso representou exatos 2% do total de novos processos abertos naquele mês. Os outros 98% referiam-se a entradas irregulares ou vencimento de visto.
O número é inferior ao de fevereiro de 2025 – já no segundo mandato de Trump –, quando foram registradas 821 NTAs por motivo criminal (4% do total). Também fica abaixo dos picos da era Biden: 883 em 2023 e 794 em 2024.
A tendência de queda é antiga. Há 25 anos, no fim do governo Clinton e início de Bush, os casos criminais chegavam a 3 mil por mês e representavam até 20% do total. O pico ocorreu em 2010, sob Obama, com mais de 4 mil NTAs. Desde então, tanto o volume absoluto quanto a proporção vêm caindo de forma consistente, inclusive durante o primeiro mandato de Trump.
Com mais de 3,3 milhões de processos pendentes nos tribunais de imigração, o backlog é dominado por pedidos de asilo e irregularidades civis. Isso dilui ainda mais a participação dos casos criminais.
O TRAC vem documentando essa discrepância há mais de uma década. Os números de fevereiro de 2026 indicam que, ao menos nos registros iniciais de novos processos, a prometida ofensiva contra criminosos ainda não se materializou na prática judicial.
Procurado, o DHS não se manifestou. Fontes da administração sustentam que parte das remoções ocorre por vias administrativas rápidas, fora do sistema completo de tribunais.
A diferença entre o tom oficial e os dados concretos deve continuar alimentando o debate sobre a real prioridade da política imigratória americana.


