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Peabody (Massachusetts) – Apesar das orientações expressas da governadora Maura Healey para que as polícias estadual e municipais restrinjam ao máximo a cooperação com a Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), os fatos recentes revelam que essa determinação não tem sido integralmente observada.
Na última terça-feira (2 de junho), o brasileiro Lucas Gustavo Brajak De Almeida Di Benedetto, de 41 anos, residente em Newburyport, foi detido por agentes da ICE no estacionamento do Tribunal Distrital de Peabody, minutos antes de sua audiência. Ele havia sido preso dias antes após colidir frontalmente, na contramão da Route 1, em Lynnfield, com uma viatura da Polícia Estadual, ferindo o trooper Peter Spinale.
Liberado sob fiança de apenas US$ 500, Di Benedetto responderia por direção sob influência de álcool (OUI), operação negligente de veículo e direção na contramão. A ICE o abordou com base em seu histórico de permanência irregular nos Estados Unidos: ele entrou no país em 2007 com visto temporário de três meses e permaneceu por 19 anos sem regularização.
O episódio ilustra a tensão crescente entre as políticas de proteção adotadas pelo governo estadual de Massachusetts e a atuação federal, demonstrando que, na prática, a cooperação entre autoridades locais e a ICE continua a ocorrer — especialmente em casos envolvendo crimes graves.
Colaboração persiste de forma estratégica
Os casos recentes indicam que muitos agentes policiais continuam repassando informações sobre imigrantes em situação irregular detidos por crimes comuns. Essa colaboração tem se dado de maneira estratégica: em vez de entregas diretas no interior dos tribunais, os agentes federais realizam as abordagens no estacionamento ou logo após a audiência — uma tática que se repete.
O mesmo padrão foi observado em Lowell, onde o brasileiro Guilherme Campos-Candido, de 23 anos, foi detido pela ICE após se apresentar à polícia por um atropelamento fatal que matou Leah Kahare, de 29 anos. Ocorrências semelhantes foram registradas em Everett, Chelsea, Lynn e outras cidades do estado, principalmente em acusações de direção alcoolizada, fuga de local de acidente e delitos graves.
Ainda na mesma semana, um ex-funcionário de uma creche em Tyngsborough foi condenado a 22 anos de prisão por exploração sexual de crianças. A investigação e a condenação foram conduzidas integralmente por autoridades federais — e não pela administração estadual —, o que contrasta com o discurso de proteção contra a atuação da ICE em ambientes sensíveis, como creches.
Diante dos fatos, a mensagem que emerge para a comunidade imigrante é clara: imigrantes em situação irregular devem manter-se longe de problemas.
Se detidos por direção alcoolizada, fuga de acidente com morte, crimes de trânsito graves ou outras infrações sérias, a probabilidade de a polícia local repassar informações à ICE é elevada — independentemente das diretrizes da governadora. Os episódios de Peabody e Lowell demonstram que as forças de segurança priorizam a proteção à segurança pública em relação às políticas de santuário.
Brasileiros figuram entre os grupos mais afetados, representando cerca de 25% a 30% das detenções da ICE no estado de Massachusetts em determinados períodos. Apesar das ordens de Healey para restringir a cooperação, policiais locais e tribunais seguem repassando dados, muitas vezes de modo informal.
A colaboração existe. A ICE atua. E as consequências para quem comete delitos graves na condição de imigrante irregular são concretas e rápidas: prisão estadual seguida de detenção federal e possível deportação.


