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Washington, 10 de junho de 2026: Metade dos americanos vive com a preocupação de que o avanço da inteligência artificial possa eliminar o emprego de alguém em sua própria família. É o que mostra uma nova pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada nesta quarta-feira, que capta o clima de ansiedade crescente em relação aos impactos da tecnologia no mercado de trabalho.
De acordo com o levantamento, realizado entre 4.531 adultos nos Estados Unidos, 53% dos entrevistados afirmam temer que a IA coloque em risco o sustento de alguém em seu lar. O receio se distribui de forma relativamente uniforme entre diferentes faixas etárias, gêneros e níveis educacionais. Apenas 37% disseram não se preocupar com isso, enquanto 10% não souberam responder ou preferiram não opinar.
A sondagem revela ainda uma divisão partidária clara: 61% dos democratas expressam preocupação com o impacto da IA no emprego doméstico, contra 47% dos republicanos. Graduados universitários, que também usam a tecnologia com mais frequência (50% a utilizam regularmente, ante 34% dos não-graduados), demonstram maior apreensão.
A pesquisa chega em um momento de cortes de empregos anunciados por grandes empresas de tecnologia, que citam a adoção de IA como justificativa para enxugar quadros. Recentemente, companhias como a Intuit demitiram 17% de sua força de trabalho global para “focar em apostas chave”, incluindo iniciativas de inteligência artificial.
O temor não é novo, mas vem se intensificando. Em comparação com pesquisa similar de 2023, o percentual de americanos preocupados com o uso crescente da IA subiu de 68% para 73%.
Especialistas e líderes mundiais, incluindo o papa Leão XIV, já alertaram para os riscos da tecnologia não apenas no emprego, mas também em áreas como propaganda política, entretenimento e até aplicações militares.
Apesar dos temores, o mercado de trabalho americano ainda registra ganhos sólidos de emprego nos últimos meses. No entanto, analistas questionam se os cortes concentrados no setor de tecnologia vão se espalhar para outros segmentos da economia.
A pesquisa Reuters/Ipsos, com margem de erro de dois pontos percentuais, reflete um debate que ganha força nos Estados Unidos: até que ponto a IA aumentará a produtividade sem gerar desemprego estrutural? Enquanto empresas celebram ganhos de eficiência, parte significativa da população vê a tecnologia como ameaça direta ao sustento familiar.
O resultado reforça a pressão sobre governos e empresas para que equilibrem inovação com proteção social — um dilema que deve dominar o debate político e econômico nos próximos anos.


