Salvador (Brasil), 23 de julho de 2026 (JSNEWS) – A Igreja Presbiteriana Unida (IPU) decidiu permitir a recepção de pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ como membros plenos em suas igrejas locais e, dependendo do cumprimento de critérios vocacionais, sua atuação em funções pastorais. A deliberação foi aprovada durante a assembleia geral da denominação, realizada entre 17 e 19 de julho em Salvador (Bahia).
A decisão não impõe uma doutrina única para toda a igreja, mas abre caminho para a inclusão, deixando a autonomia para as congregações locais. A IPU reforçou ainda sua oposição a discursos de ódio, opressão e discriminação por orientação afetivo-sexual, e condenou explicitamente as práticas conhecidas como “cura gay”.
A medida chega três anos depois da criação, pela IPU, de uma Comissão Especial para Assuntos de Gênero. O grupo reuniu fiéis LGBTQIAPN+, representantes de presbitérios, pastores que celebram casamentos homoafetivos e outros setores, realizando audiências, seminários e análises de documentos internos. Durante os trabalhos, ficou evidente a diversidade de visões dentro da igreja, com posições tanto inclusivas quanto conservadoras, mas também a preocupação comum de evitar novas rupturas.
A IPU surgiu nos anos 1970 como uma federação de igrejas locais, após a expulsão de pastores e líderes progressistas da maior denominação presbiteriana do país, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), por defenderem pautas “liberais e justiça social”. Como outras igrejas protestantes históricas, o presbiterianismo brasileiro apresenta diversas ramificações e dissidências, com orientações teológicas que vão do conservadorismo ao progressismo.
Com a decisão, a IPU se alinha à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil como uma das denominações históricas que reconhecem direitos e possibilidade de ministério para pessoas LGBTQIAPN+. A mudança ocorre em um contexto de debates sobre inclusão nas igrejas evangélicas e protestantes no Brasil.


