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O responsável pela fronteira da administração Trump, Tom Homan, afirmou que, se as acusações de violência doméstica contra o agente do ICE David Brouillette — apontado como o autor do tiro que matou um imigrante no Maine — forem verdadeiras, ele nunca deveria ter sido aprovado no processo de seleção da agência.
“Se esses forem os fatos, acho que ele jamais deveria ter passado pela triagem”, disse Homan à jornalista Dana Bash, da CNN.
Homan explicou que a análise do processo de seleção faz parte da investigação em andamento. “O processo de triagem falhou? A informação não estava disponível? Eles não sabiam?”, questionou. E completou: “Certamente, se essa pessoa tinha esse tipo de histórico, seria um problema de triagem e deveria ter sido levado ao conhecimento de quem toma essas decisões.”
Embora as autoridades federais ainda não tenham identificado publicamente Brouillette como o autor do disparo, a ex-mulher Ashley Brouillette, com quem ele foi casado entre 2007 e 2009, afirmou ter falado com ele após o episódio. Segundo ela, ele reconheceu ter atirado e repetia que a ação tinha sido justificada.
Ashley contou ao Boston Globe que Brouillette a havia engasgado, jogado no chão e, em uma ocasião, jogado água fervente nela. A outra ex-mulher, Lucinda Brouillette, protocolou recentemente documento em juízo no qual alega que ele a ameaçou de morte com uma arma. As acusações surgiram em meio a processos de divórcio conturbados, nos quais o próprio Brouillette também acusou as duas de violência doméstica.
Os detalhes sobre o passado do agente vieram à tona após a morte, em 13 de julho, de Johan Sebastián Durán Guerrero, que foi baleado enquanto dirigia em Biddeford, no Maine. As autoridades afirmaram que ele não era o alvo da operação. O caso é o mais recente tiro fatal envolvendo agentes federais de imigração desde que a gestão Trump ampliou significativamente o quadro do ICE.
Menos de uma semana antes, outro imigrante havia sido morto a tiros dentro do próprio caminhão durante uma abordagem no Texas. Ele também não era o alvo pretendido da operação.
Os episódios reacenderam críticas de que o ICE estaria contratando candidatos sem a devida qualificação na pressa de ampliar o efetivo para cumprir a ofensiva migratória de Trump. Especialistas em segurança pública também questionaram o treinamento dos agentes, afirmando que a conduta em abordagens de trânsito fere procedimentos policialmente aceitos.
No domingo, Homan disse que tanto o processo de triagem quanto o treinamento estão “sob revisão”. Ainda assim, defendeu os procedimentos de contratação da agência: “O ICE tem cerca de 30 mil funcionários. Todos passam por triagem. Este é um caso meio raro.”
Em nota anterior ao Globe, um porta-voz do ICE afirmou que a agência “avalia todas as informações disponíveis sobre cada candidato”. Autoridades que deixaram o órgão antes da atual gestão relataram que o processo de contratação era detalhado e incluía exames de polígrafo, além de formulários que perguntavam sobre histórico médico (incluindo lesões na cabeça e diagnósticos de saúde mental), pensão alimentícia atrasada e medidas protetivas em vigor. Não está claro o que Brouillette declarou ao ICE.
Histórico de violência envolvendo agentes do ICE
O caso de David Brouillette não é isolado. Organizações de defesa de imigrantes e reportagens recentes apontam um padrão de acusações de violência e crimes sexuais envolvendo agentes do ICE e da Patrulha de Fronteira.
Em julho de 2026, o grupo Ohio Immigrant Alliance divulgou uma lista com 59 agentes ativos e ex-agentes do ICE e da CBP acusados de crimes sexuais e violentos entre 2007 e 2026. Segundo a organização, 50 desses casos envolvem crimes sexuais, muitos contra crianças, e quase metade das ocorrências documentadas aconteceu só em 2025 e 2026.
Esses e outros episódios têm alimentado questionamentos sobre a rigorosidade da triagem e do acompanhamento disciplinar dentro da agência, especialmente em meio à rápida expansão de efetivo determinada pela atual administração.


