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O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) tem reforçado operações em aeroportos de várias cidades americanas, com até 36 prisões em um único dia em alguns terminais. A prática de utilizar os manifestos de voo — listas oficiais de passageiros — para localizar e deter imigrantes com vistos vencidos antes do embarque tem gerado crescente tensão com companhias aéreas, que questionam a forma como as abordagens são conduzidas.
Segundo reportagem do The Wall Street Journal, empresas como a Southwest Airlines passaram a contestar os procedimentos, alegando riscos à segurança de passageiros e tripulantes, além de interferência nos protocolos internos das aeronaves. Em um dos episódios mais recentes, ocorrido em 25 de julho em Dallas, funcionários da Southwest impediram que um agente do ICE embarcasse em um avião e se recusaram a fornecer dados de passageiros sem a devida documentação legal.
Fontes próximas ao caso relataram ao jornal que, nas últimas semanas, a companhia enfrentou pelo menos meia dúzia de situações semelhantes. Em comunicado oficial, a Southwest afirmou que mantém cooperação com as autoridades, mas apenas quando os procedimentos legais são rigorosamente observados. “Temos políticas para garantir que as autoridades apresentem a documentação legal adequada antes de compartilhar informações de nossos clientes”, declarou a empresa.
Os operativos se intensificaram em aeroportos de cidades como São Francisco, Miami e Kansas City, onde, em alguns dias, as prisões chegaram a variar entre uma e três dezenas de pessoas. A associação Airlines for America, que representa diversas companhias aéreas, informou que mantém diálogo com o ICE e com a Administração de Segurança no Transporte (TSA) para estabelecer protocolos que permitam as intervenções sem comprometer a segurança dos viajeros.
“As companhias aéreas têm mantido conversas construtivas com o ICE e a TSA para garantir que qualquer intervenção policial priorize a segurança de todos os envolvidos”, afirmou um porta-voz da entidade.
Do lado do governo, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), Lauren Bis, defendeu a estratégia. Segundo ela, o ICE está apenas “fazendo cumprir as leis e as políticas estabelecidas” dos Estados Unidos.
A escalada das operações em aeroportos reacende o debate sobre o equilíbrio entre o controle migratório e a segurança operacional do transporte aéreo, em um momento em que as companhias aéreas buscam regras mais claras para lidar com a presença de agentes federais em suas instalações e aeronaves.


