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TUCSON / BALTIMORE — A Long Realty, imobiliária de Tucson, no Arizona, encerrou a associação com o corretor Arthur Layne Lundeen, 67, identificado como o passageiro retirado e preso após um tumulto no voo 618 da American Airlines, na noite de quinta-feira (3).
O avião, que seguia de Dallas-Fort Worth para Newark, foi desviado para o aeroporto de Baltimore-Washington (BWI). Lundeen foi retirado da aeronave pela polícia, e o voo prosseguiu posteriormente para o destino original.
Em comunicado publicado no domingo (6), a Long Realty afirmou ter tomado conhecimento de “relatos sobre acusações criminais contra um ex-corretor afiliado, decorrentes de um incidente que teria ocorrido em um voo comercial”.
“[Ao tomar conhecimento do caso], a Long Realty encerrou prontamente a afiliação”, informou a empresa. Segundo a imobiliária, Lundeen “não está mais associado nem autorizado a representar a Long Realty em qualquer capacidade”.
A empresa classificou a conduta relatada como incompatível com os padrões de “profissionalismo, integridade, compaixão e respeito” exigidos de seus associados. O perfil de Lundeen foi retirado do site da companhia.
No LinkedIn, ele era apresentado como vice-presidente e corretor associado. Lundeen atua no mercado imobiliário do Arizona desde o início dos anos 2000.
O tumulto
Segundo testemunhas ouvidas pela imprensa americana, Lundeen se tornou agressivo na parte final do voo.
Juan Mejia, passageiro e ex-policial, disse à ABC News que o homem passou a insultar tripulantes e passageiros, além de fazer comentários de teor racial e manifestações ofensivas contra mulheres.
Mejia e outro passageiro, Richard Olenick, teriam participado da contenção. Outros relatos mencionam empurrões, uma agressão contra um passageiro e danos a um computador. Também houve, segundo essas versões, tentativas de morder as pessoas que tentavam imobilizá-lo.
Os relatos de testemunhas ainda não foram submetidos a julgamento.
Para mantê-lo contido, a tripulação utilizou fita adesiva e abraçadeiras plásticas, prendendo Lundeen ao assento. A American Airlines confirmou que o desvio ocorreu por causa de um “cliente disruptivo”.
A companhia não detalhou o comportamento do passageiro, mas afirmou que a segurança de clientes e funcionários é prioridade e que não tolera violência a bordo.
Acusações
Lundeen foi preso pela polícia de transporte de Maryland e responde, na Justiça estadual, por agressão em segundo grau e conduta desordeira. As duas acusações constam como contravenções nos registros do condado de Anne Arundel.
Ele foi liberado após audiência realizada em 4 de setembro e deverá comparecer novamente à Justiça em 19 de outubro.
O FBI informou que está realizando entrevistas e que consultará a Procuradoria Federal de Maryland sobre a possibilidade de uma acusação federal.
Até o momento, não há registro público de advogado constituído para Lundeen nem de manifestação dele sobre o caso.
O episódio ocorre em meio à sequência de incidentes envolvendo passageiros indisciplinados em voos nos Estados Unidos. Casos semelhantes já resultaram em desvios de aeronaves, prisões e, em determinadas situações, na utilização de meios improvisados para conter passageiros.
A ruptura entre Lundeen e a Long Realty ocorreu poucos dias após o incidente e sua identificação pública.


