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A saída de cerca de 182 mil residentes de Massachusetts para outros estados americanos nos primeiros cinco anos desta década é tratada por lideranças empresariais de Boston como um sinal de que a região perdeu vantagem competitiva. O movimento, descrito como um esvaziamento da força de trabalho, não configura um colapso econômico imediato, mas um acúmulo acelerado de perdas que, segundo a Câmara de Comércio da Grande Boston, exige resposta urgente no cenário pós-pandemia.
A entidade avalia que é necessário ajustar-se às novas realidades do mundo pós-Covid e agir imediatamente. O custo da moradia, as contas de aquecimento e a perda geral de competitividade são apontados como problemas que precisam ser enfrentados de forma simultânea.
Desse recorte, Flórida e New Hampshire — estados sem imposto de renda estadual — absorveram sozinhos US$ 2,75 bilhões.
Os destinos mais frequentes da emigração não formam um bloco único. Quem se muda para New Hampshire, Maine e Rhode Island, em geral, permanece na Nova Inglaterra: são deslocamentos curtos, por proximidade de família, trabalho e moradia mais acessível, sem ruptura com o mercado regional de Boston.
Califórnia e Nova York podem receber alguém vindo de Massachusetts por emprego, laços familiares ou um movimento atípico — em geral trabalhadores especializados, e não a transferência de empresas que encerram base no Nordeste. O padrão nacional de realocação corporativa aponta para outro rumo: companhias, inclusive de alta tecnologia e plataformas de vendas online, têm levado operações para estados com menos regulação e carga tributária menor, como Flórida e Texas. Esses dois estados concentram, portanto, tanto parte da renda que deixa Massachusetts quanto a lógica mais ampla de mudança de sede e de expansão empresarial nos Estados Unidos.
A Câmara defende uma reação imediata. Texas, Nova Jersey e Carolina do Norte têm atuado de forma agressiva para atrair moradores e empresas de Massachusetts. A proposta é recuperar competitividade com eventos de grande porte e medidas de desburocratização. A entidade cita o impacto econômico das partidas da Copa do Mundo em Foxboro e da visita dos Tall Ships a Boston, que lotaram bares e restaurantes e geraram movimento capaz de durar anos, especialmente com a presença de torcedores da Escócia e da Noruega.
A avaliação é de que Boston precisa se promover como cidade capaz de sediar eventos de classe mundial e de atuar com mais agilidade. Entre os alvos estão o Jogo das Estrelas da NBA, o Draft da NFL e a Copa do Mundo de hóquei. Foi criada a Greater Boston Sports Commission com esse objetivo.
No plano institucional, um Conselho de Competitividade foi instalado em Beacon Hill para avaliar a simplificação de licenciamentos e incentivos fiscais que permitam a startups — uma das forças da região — permanecer no Estado quando avançam para a fase de produção. Boston mantém vantagem em prestígio médico e universitário, mas isso, segundo a Câmara, não basta para interromper a tendência de emigração.
Moradia e aquecimento aparecem como problemas conjugados. Com a chegada do outono, as contas de energia pesam sobre o orçamento familiar e empurram talentos jovens para o Sul. O trabalho remoto amplia as opções em estados com impostos mais baixos e custos de aquecimento menores. O intenso ciclo de obras de décadas anteriores ficou para trás. O Seaport está consolidado, mas isso não significa, na avaliação da entidade, que poder público e iniciativa privada possam deixar de trabalhar para reter população.
A leitura é de que a região tem os ingredientes necessários, mas precisa se ajustar às novas realidades e agir agora, sob pena de atrofia e desgaste. A Câmara defende que a história de Massachusetts seja contada de forma mais clara, com um reset após o feriado do Labor Day e maior integração entre Boston e Worcester, elo ainda considerado insuficiente. O objetivo declarado é fornecer a força de trabalho necessária para a economia do século 21 e reencontrar o equilíbrio.


