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BOSTON / SÃO PAULO — O brasileiro Adinazio Vinicius Soares Dias-Barbosa, 30 anos, conhecido como Panda, declarou-se culpado nos Estados Unidos de acusações relacionadas a tráfico de drogas e armas. Segundo o Departamento de Justiça americano, ele vivia irregularmente em Peabody, Massachusetts, e atuava como um “general” do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A informação consta de comunicado divulgado em 10 de setembro pelo escritório do procurador federal do Distrito de Massachusetts.
O documento afirma que Dias-Barbosa fornecia fentanil e cocaína a uma rede de tráfico que operava na região da North Shore, no Estado. O DOJ também descreve o PCC como uma organização criminosa transnacional violenta sediada no Brasil e afirma que a facção está entre os maiores distribuidores de cocaína do mundo e participa de atividades de tráfico de armas.
Segundo o comunicado, Panda se declarou culpado de conspiração para distribuir e possuir substâncias controladas com intenção de tráfico; posse de armas de fogo e munição por estrangeiro; e exercício não autorizado da atividade de comércio de armas.
A sentença foi marcada para 3 de dezembro de 2026, perante o juiz federal sênior William G. Young, em Boston. O acusado havia sido formalmente denunciado por meio de uma queixa criminal em 30 de julho de 2025.
Nove rifles na Interstate 95
Um dos principais episódios descritos pelo Departamento de Justiça ocorreu em 1º de julho de 2025, na Interstate 95, na Carolina do Sul.
Segundo o DOJ, Dias-Barbosa foi parado durante a investigação e consentiu com uma revista no veículo. Pouco antes do início da busca, porém, fugiu a pé pela rodovia. Ele foi detido no canteiro gramado da estrada.
Na revista posterior do automóvel, agentes encontraram nove rifles e munição no assoalho do compartimento traseiro de passageiros.
O Departamento de Justiça afirma que Dias-Barbosa admitiu ter comprado as armas na Carolina do Sul e que as transportava para um intermediário em Miami. Esse intermediário, segundo o comunicado, providenciaria o transporte dos rifles para o Brasil através do Paraguai.
A investigação também encontrou material relacionado ao tráfico no telefone celular do brasileiro. De acordo com o DOJ, o aparelho continha numerosas mensagens e fotografias que detalhavam suas atividades de tráfico de drogas.
As acusações
O Departamento de Justiça informa que a acusação de conspiração para distribuição e posse de drogas com intenção de tráfico prevê pena máxima de 20 anos de prisão, além de pelo menos três anos e até prisão perpétua de liberdade supervisionada e multa de até US$ 1 milhão.
As acusações relacionadas à posse ilegal de arma e munição por estrangeiro e ao exercício não autorizado do comércio de armas preveem, cada uma, pena máxima de 15 anos de prisão, três anos de liberdade supervisionada e multa de até US$ 250 mil.
O próprio DOJ ressalva, porém, que a pena efetivamente aplicada será determinada pelo juiz federal com base nas diretrizes de sentença e nas leis que regem o processo penal americano.
A investigação
O caso foi conduzido pela Boston Homeland Security Task Force, uma força-tarefa conjunta que reúne órgãos federais e integra a operação Take Back America.
Participaram da investigação, segundo o Departamento de Justiça, o FBI, a DEA, o Serviço de Segurança Diplomática e forças policiais de Massachusetts e da Carolina do Sul, entre outras instituições. O Ministério Público federal do Distrito de Massachusetts informou que o processo é conduzido pelo Organized Crime & Gang Unit.
O comunicado oficial não detalha, entretanto, toda a trajetória de Dias-Barbosa nos Estados Unidos nem apresenta, neste documento, informações sobre outras supostas células do PCC no país. Essas informações, caso incluídas na reportagem, devem ser atribuídas a processos judiciais ou investigações independentes.
O que o caso revela
O processo oferece uma janela sobre uma das formas de atuação atribuídas ao PCC em território americano: a aquisição de armas nos Estados Unidos para posterior envio ao Brasil e a participação de operadores brasileiros em redes locais de distribuição de drogas.
No caso de Dias-Barbosa, a própria documentação do Departamento de Justiça conecta as duas atividades. O brasileiro é acusado de abastecer uma rede de fentanil e cocaína em Massachusetts e, separadamente, admitiu ter transportado nove rifles adquiridos na Carolina do Sul para um intermediário em Miami, com destino final ao Brasil por meio do Paraguai.
O alcance dessa estrutura, contudo, não pode ser determinado apenas pelo comunicado sobre Panda. O documento estabelece os fatos relacionados ao processo criminal contra ele, mas não apresenta, por si só, um mapa completo da presença do PCC nos Estados Unidos.
Fonte: U.S. Department of Justice, U.S. Attorney’s Office for the District of Massachusetts, Illegal Alien Pleads Guilty to Drug Trafficking and Firearm Charges, 10 de setembro de 2026. https://www.justice.gov/usao-ma/pr/illegal-alien-pleads-guilty-drug-trafficking-and-firearm-charges


