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WASHINGTON — O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) abriu investigações sobre 84 dos 1.769 estrangeiros classificados como Priority 1, a categoria de maior risco entre pessoas que permaneceram no país além do prazo do visto, entre os anos fiscais de 2021 e 2024. Duas pessoas desse grupo foram presas. Os dados constam do relatório OIG-26-38, do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna (DHS), divulgado em 29 de setembro.
No período, o órgão recebeu 3.145.375 alertas de overstay. Desse total, 104.049 (3,3%) foram classificados como apresentando algum risco à segurança nacional ou à segurança pública. O grupo Priority 1 reuniu 1.769 casos, dos quais cerca de 5% foram encaminhados para investigação pela divisão de investigações do ICE.
Considerando todos os alertas classificados como viáveis para investigação — 21.885 casos —, o ICE abriu 496 investigações e realizou oito prisões. Entre os 3.041.326 nomes que não apresentavam indicação de risco na triagem, apenas cinco foram examinados pelo braço responsável pela deportação, que realizou duas prisões.
A classificação, porém, não representa uma condenação nem comprova que a pessoa ofereça risco. Trata-se de uma avaliação preliminar obtida pelo cruzamento de informações com cerca de 20 bases de dados, incluindo listas relacionadas a terrorismo, país de origem e outros indicadores. O relatório cita como exemplo de Priority 1 uma pessoa já incluída em uma lista de vigilância e originária de um país considerado favorável a terroristas.
O inspetor-geral atribuiu a baixa atuação a três fatores principais. Um memorando de setembro de 2021, do então secretário do DHS Alejandro Mayorkas, determinou que o ICE concentrasse recursos em ameaças à segurança nacional, à segurança pública e à fronteira, deixando a simples expiração do visto insuficiente para priorizar uma ação.
Também pesaram problemas operacionais. No fim de 2024, 194 dos 205 leads Priority 1 não puderam ser encaminhados por falta de endereço, segundo o relatório. O documento também aponta insuficiência de pessoal.
Fora desse fluxo, outras operações do ICE resultaram na prisão de 16.458 pessoas posteriormente identificadas como overstays. Essas prisões ocorreram por mecanismos distintos do sistema de monitoramento de vistos.
O relatório não apresenta série comparável para os governos Trump. Um registro interno de 2017 menciona o envio de 7.353 leads de overstay com possível risco aos escritórios de campo, mas essa é uma métrica diferente da utilizada no relatório atual. A orientação de Mayorkas foi revogada em 20 de janeiro de 2025, e a quantidade equivalente de investigações e prisões durante a administração atual ainda não foi publicada.
A principal melhoria foi deixar cristalina a diferença entre três coisas: alerta de overstay, classificação de risco e investigação/prisão. Isso evita que o leitor conclua, erroneamente, que os 1.769 eram pessoas comprovadamente perigosas ou que as duas prisões representam todos os overstays considerados de alto risco.


