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Para 68% dos latinos da classe trabalhadora nos Estados Unidos, a promessa de que o esforço e o trabalho conduzem naturalmente a uma vida melhor perdeu força. O dado faz parte de uma nova pesquisa da UnidosUS, realizada em parceria com a BSP Research, que ouviu 2.700 adultos latinos da classe trabalhadora entre 28 de agosto e 17 de setembro.
O estudo descreve uma espécie de “escada social quebrada”: o trabalho continua sendo indispensável, mas já não assegura, para uma parcela expressiva das famílias, estabilidade suficiente para pagar as despesas, cuidar da saúde, manter uma moradia ou enfrentar uma emergência financeira.
O custo de vida aparece como o principal problema. Oito em cada dez entrevistados apontaram inflação e despesas cotidianas entre suas principais preocupações econômicas. Ao todo, 61% afirmaram que apenas conseguem pagar as despesas ou enfrentam dificuldades para fazê-lo. Quatro em cada dez disseram estar em situação pior do que há um ano; entre eles, 76% atribuíram a deterioração ao aumento dos preços de bens e serviços.
A pressão aparece nas decisões mais básicas. Segundo a pesquisa, 43% passaram a comprar menos alimentos ou produtos mais baratos, 38% recorreram às economias e 18% fizeram horas extras ou assumiram outro emprego para conseguir pagar as contas. Mais da metade, 53%, deixou de realizar algum cuidado médico por causa do custo, incluindo consultas, medicamentos ou tratamentos.
A moradia também expõe a fragilidade financeira. Mais da metade dos entrevistados destina pelo menos 30% da renda à habitação. Entre os inquilinos, 60% demonstram preocupação com o pagamento do aluguel do mês seguinte. Entre proprietários, 41% têm receio de conseguir pagar a próxima prestação da hipoteca.
No mercado de trabalho, o problema não é simplesmente encontrar emprego. Para 80% dos entrevistados, as principais preocupações relacionadas ao trabalho envolvem remuneração insuficiente, instabilidade, redução de horas e falta de benefícios. Apenas um terço dos trabalhadores empregados afirmou ter acesso a plano de aposentadoria oferecido pelo empregador.
Os números ajudam a explicar por que a pesquisa fala em uma “escada quebrada”. Quase 80% dos adultos latinos — 38,5 milhões de pessoas — são classificados como integrantes da classe trabalhadora, e os latinos representam aproximadamente um em cada cinco trabalhadores dos EUA. Eles estão fortemente presentes em setores como construção, agricultura, transporte e manufatura.
Isso não significa, porém, que esse universo seja formado por imigrantes. A categoria inclui cidadãos nascidos nos Estados Unidos, filhos de imigrantes e imigrantes de primeira geração. O estudo demográfico da UnidosUS mostra, inclusive, que entre os adultos latinos imigrantes pertencentes à classe trabalhadora, 35% são cidadãos americanos naturalizados.
A pesquisa, portanto, descreve menos uma crise de disposição para trabalhar do que uma crise na capacidade de transformar trabalho em segurança econômica. A promessa tradicional do esforço individual permanece viva — mas, para uma parcela significativa dos latinos trabalhadores, o caminho entre o emprego e uma vida estável tornou-se muito mais difícil de percorrer.


