Eliana Pereira Ignacio –
Olá, meus queridos leitores!
Na semana passada, conversamos sobre a importância de não deixar a vida para depois. Hoje, quero convidá-los a uma reflexão que, de certa forma, dá continuidade àquela conversa.
Você já parou para pensar que, às vezes, não é apenas a vida que deixamos para depois, mas nós mesmos?
Ao longo dos anos, ouvimos tantas opiniões sobre quem somos, sobre o que podemos ou não fazer, que corremos o risco de acreditar mais nessas definições do que em nossa própria essência.
E foi pensando nisso que escolhi nossa reflexão de hoje:
Quando deixamos de nos enxergar
Há uma forma silenciosa de nos perdermos de nós mesmos. Não acontece de repente, não faz barulho e, muitas vezes, nem percebemos quando começa. Simplesmente, em algum momento da vida, passamos a acreditar mais no que dizem sobre nós do que naquilo que verdadeiramente somos.
Desde cedo, recebemos definições. Alguém diz que somos tímidos, difíceis, sensíveis demais, incapazes, fortes, frágeis, complicados ou até mesmo que não levamos jeito para determinadas coisas. Algumas dessas palavras são pronunciadas sem qualquer intenção de ferir. Outras nascem de julgamentos, comparações e expectativas. Mas todas podem encontrar um lugar dentro de nós.
E o mais curioso é que, com o passar do tempo, deixamos de perceber que essas definições vieram de fora. Passamos a tratá-las como verdades nossas.
Quantas pessoas deixam de tentar alguma coisa porque um dia ouviram que não seriam capazes? Quantas mulheres aprenderam a esconder sua força para não serem consideradas difíceis? Quantas pessoas silenciam seus sentimentos porque cresceram ouvindo que demonstrar emoções é sinal de fraqueza?
E quantas vezes nós mesmos repetimos, quase automaticamente: “Eu sou assim mesmo”, “Não consigo”, “Nunca fui bom nisso”, “Não tenho mais idade para começar”?
Mas será que somos realmente tudo aquilo que aprendemos a dizer sobre nós?
Ao longo da minha trajetória profissional, tenho observado como determinadas crenças sobre nós mesmos podem influenciar nossas escolhas, nossos relacionamentos e até a maneira como recebemos o carinho, o reconhecimento e as oportunidades que a vida oferece.
Às vezes, uma pessoa possui qualidades extraordinárias, mas não consegue reconhecê-las. Enxerga com facilidade suas limitações, porém tem dificuldade de identificar suas capacidades. Sabe apontar aquilo que considera errado em si, mas quase nunca se permite reconhecer o que tem de bonito.
É como olhar diariamente para um espelho que, aos poucos, foi sendo coberto pelas opiniões dos outros. A imagem continua ali, mas já não conseguimos vê-la com clareza.
E talvez uma das maiores perdas da vida não seja deixar de conquistar alguma coisa, mas deixar de conhecer a pessoa que poderíamos ser se não estivéssemos tão ocupados tentando corresponder às expectativas alheias.
Isso não significa ignorar nossas dificuldades, rejeitar críticas ou acreditar que somos perfeitos. Muito pelo contrário. Conhecer a si mesmo exige coragem para reconhecer nossas limitações, mas também justiça para admitir nossas virtudes.
Somos muito mais do que um erro cometido, uma escolha que não deu certo, uma opinião recebida ou uma fase difícil que atravessamos.
“Eu te louvarei, porque de um modo assombroso e tão maravilhoso fui feito.” — Salmos 139:14.
Até a próxima semana!
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras qualificações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


