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Um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) disparou sete vezes contra o carro conduzido pelo dominicano Oscar Belgal, de 28 anos, durante uma operação de imigração em 8 de outubro de 2026, no bairro de Marble Hill, no Bronx, em Nova York. Um dos tiros atingiu o motorista no pescoço, abaixo da orelha esquerda. O filho dele, de cinco anos, estava no banco traseiro e não sofreu ferimentos.
Segundo Marcos Charles, funcionário do ICE, os agentes tentavam prender Belgal quando ele se recusou a sair do veículo, acelerou e atingiu dois carros oficiais. Charles afirmou que o motorista teria usado o automóvel como arma, avançando na direção de outros agentes. Diante do que consideraram uma ameaça à própria vida e à segurança de terceiros, os agentes abriram fogo.
A versão federal ainda precisa ser confrontada com as demais evidências. A comissária do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD), Jessica Tisch, confirmou que um agente disparou sete vezes, com base nos elementos recolhidos no local. Policiais municipais, que atendiam a outra ocorrência nas proximidades, encontraram Belgal algemado e ferido e prestaram assistência. Imagens divulgadas pela polícia mostram os agentes municipais ajudando o homem.
Em 10 de outubro, o juiz federal Paul Oetken suspendeu temporariamente a deportação de Belgal enquanto tramita uma ação judicial que questiona sua detenção. A decisão também impede sua transferência para instalações fora de Nova York e Nova Jersey sem autorização judicial. O ICE afirmou que o havia levado para um centro de detenção fora do estado de Nova York; até o momento, não está claro se a transferência ocorreu antes da ordem judicial ou se houve descumprimento da decisão.
Protestos e reação política
O episódio provocou manifestações diante do hospital para onde Belgal foi levado e nas proximidades do local dos disparos. Manifestantes exigiram a libertação do dominicano e a saída do ICE da cidade.
Em 8 de outubro, o prefeito Zohran Mamdani condenou a operação, destacando que os agentes usavam coletes semelhantes aos de trabalhadores da construção civil, máscaras e armas longas, dificultando sua identificação. Também criticou os disparos em uma rua residencial onde havia famílias e crianças. A governadora Kathy Hochul e a deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez também condenaram a atuação do órgão. Mamdani pediu a interrupção das operações do ICE na cidade e, posteriormente, voltou a defender a extinção da agência.
Outros episódios ajudam a dimensionar a controvérsia. Em 20 de setembro, um agente do ICE baleou o venezuelano Wilber Rafael Garces Perez, em Austin, no Texas. Ele foi transferido para um centro de detenção com o projétil ainda alojado nas costas, segundo seu advogado; autoridades federais apresentaram acusações contra ele por resistência e agressão a um agente. Em 11 de outubro, no condado de Harris, também no Texas, um agente migratório atingiu um homem com seu veículo durante uma perseguição, causando uma fratura na perna, segundo a imprensa local. Os casos são distintos, mas reforçam o debate sobre os riscos das operações de fiscalização.
Quem é Oscar Belgal
De acordo com a comissária Jessica Tisch e declarações do Departamento de Segurança Interna (DHS), Belgal tem antecedentes criminais e é investigado por possíveis vínculos com a gangue Trinitarios, de origem dominicana. O DHS também o descreveu como alvo de uma investigação federal e afirmou que ele teria escapado de uma tentativa anterior de prisão, em setembro.
Registros judiciais citados pelo prefeito Mamdani indicam que Belgal foi preso em dezembro de 2023 por roubo e se declarou culpado de furto qualificado em quarto grau. Recebeu cinco anos de liberdade condicional. Em janeiro de 2025, foi preso novamente, desta vez em um caso de venda criminosa de substância controlada, que continua pendente.
Há outras acusações em processos ainda não concluídos, incluindo delitos relacionados a armas, ameaças, drogas e roubo. Belgal se declarou inocente das acusações pendentes, segundo os registros judiciais citados pela imprensa. Portanto, elas não devem ser apresentadas como condenações.
O DHS também alegou que Belgal teria ligação com um episódio de disparos contra um agente da Patrulha de Fronteira (CBP), mas não foram divulgadas evidências independentes que comprovem publicamente essa alegação ou confirmem sua participação na gangue. O Departamento de Justiça descreve os Trinitarios como uma organização criminosa com estrutura hierárquica e presença em diferentes regiões dos Estados Unidos; essa caracterização geral, contudo, não comprova por si só a participação individual de Belgal.
A investigação sobre os disparos e a contestação judicial da detenção seguem em andamento. Até que os fatos sejam esclarecidos, a versão dos agentes, o histórico criminal documentado e as acusações ainda não julgadas precisam permanecer claramente separados.


