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Kissimmee (Flórida) — A prefeita de Kissimmee, Jackie Espinosa, foi presa nesta quarta-feira (21) e responde a acusações de grand theft (roubo de grande monta) e organized scheme to defraud (esquema organizado para defraudar), anunciou o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier. A cidade, no condado de Osceola, integra a região metropolitana de Orlando e abriga uma comunidade brasileira consolidada, com mercados, restaurantes, igrejas e redes de apoio em português — fator que atrai tanto moradores quanto um fluxo constante de turistas brasileiros, dada a proximidade com os parques da Disney e o custo de moradia mais acessível do que no centro de Orlando.
Segundo as autoridades estaduais, Espinosa é acusada de ter usado sua posição para impulsionar o programa municipal Business Boost 2.0 — financiado com recursos federais do American Rescue Plan Act (ARPA) destinados a ajudar pequenos negócios afetados pela pandemia de Covid-19 — e, em seguida, obter cerca de US$ 50 mil para empresas ligadas a ela e à família.
Espinosa, que assumiu a prefeitura em novembro de 2024, teria defendido e votado a favor da criação e expansão do programa. No dia em que as inscrições abriram, em setembro de 2025, ela e familiares apresentaram três pedidos que resultaram no repasse de US$ 50 mil (US$ 20 mil para a Adanse LLC, US$ 15 mil para a Kissimmee Diner/Matador Tacos & Tapas e US$ 15 mil para a Real Estate Gallery LLC). O dinheiro foi depositado em contas vinculadas à família em 7 de novembro de 2025.
Em 5 de dezembro de 2025, o procurador da cidade avisou Espinosa de que o recebimento dos valores configurava conflito de interesses proibido e orientou a devolução do dinheiro. Segundo a investigação, ela se recusou, afirmou que contestaria qualquer denúncia e não tomou medidas corretivas.
As acusações incluem um crime de segundo grau (grand theft entre US$ 20 mil e US$ 100 mil) e um de primeiro grau (organized scheme to defraud de US$ 50 mil ou mais). Algumas apurações também mencionam que sete negócios em imóveis da família receberam no total US$ 90 mil (US$ 50 mil diretos e US$ 40 mil para inquilinos).
A prisão ocorre após a Comissão de Ética da Flórida e um procurador especial terem encontrado indícios de irregularidades. A comissão da cidade chegou a analisar um processo de impeachment, que terminou empatado em 2 a 2.
A advogada de Espinosa, Migdalia Perez, afirmou que a prefeita se declara inocente e nega ter agido com intenção criminosa. Segundo a defesa, trata-se de um programa público aprovado e administrado pela equipe da prefeitura, e não de um esquema secreto. Espinosa foi presa pela manhã, levada para a cadeia do condado de Osceola e se declarou inocente. Se condenada, pode pegar até 30 anos de prisão.
A investigação foi conduzida em conjunto pelo Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE) e pela Divisão de Investigações Criminais do Departamento de Serviços Financeiros do estado.


