Eliana Pereira Ignacio –
Vivemos em uma sociedade que aprendeu a reconhecer a importância das emoções, mas é preciso distinguir o direito de sentir da necessidade de agir conforme aquilo que sentimos. Raiva, medo, tristeza e frustração fazem parte da experiência humana, mas nenhuma dessas emoções precisa determinar automaticamente nosso comportamento.
Na psicologia, as emoções exercem funções importantes, sinalizando necessidades, ameaças, perdas e expectativas. O problema não está em sentir, mas na maneira como interpretamos o que sentimos e respondemos a essas experiências.
O psicólogo James Gross, referência nos estudos sobre regulação emocional, demonstra que podemos influenciar a forma como experimentamos e expressamos nossas emoções. Sentir raiva não significa que precisamos agredir; experimentar frustração não nos obriga a humilhar; sentir medo não impede que enfrentemos uma situação difícil.
Regular as emoções também não significa reprimi-las. Significa reconhecê-las e desenvolver recursos para responder de maneira consciente e adequada.
A Terapia Cognitivo-Comportamental, a partir das contribuições de Aaron Beck, ajuda a compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Quando alguém não responde a uma mensagem, por exemplo, podemos interpretar imediatamente o silêncio como rejeição. Essa interpretação pode gerar insegurança, tristeza ou raiva e provocar uma reação agressiva. Entretanto, a realidade pode ser diferente: a pessoa pode estar ocupada ou enfrentando algum problema.
Questionar nossas interpretações antes de agir é, portanto, uma importante forma de maturidade emocional.
Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, também destacou a liberdade e a responsabilidade diante das circunstâncias. Mesmo quando não podemos modificar determinada situação, podemos escolher como nos posicionar diante dela.
Não precisamos negar nossas emoções nem esconder nossas fragilidades. Precisamos compreender, porém, que nenhuma emoção, por mais intensa que seja, representa sozinha quem somos.
“Melhor é o longânimo do que o valente, e o que governa o seu espírito do que o que toma uma cidade.”
Provérbios 16:32 — Almeida Revista e Corrigida
Até a próxima semana!
Eliana Pereira Ignacio é Psicóloga, formada pela PUC – Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica; especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, entre outras quali cações. Mora em Massachusetts e dá aula na Dardah University. Para interagir com Eliana envie um e-mail para epignacio_vo@hotmail.com ou info@jornaldossportsusa.com


