Tiago Prado –
Segue o texto corrigido e formatado, preservando o conteúdo e o caráter informativo/comercial do original.
Uma eleição pode mudar a percepção de risco do empresário. Não deveria, porém, escolher a empresa que ele vai comprar. Internacionalizar por aquisição exige uma tese sobre o negócio, o preço e a capacidade de assumir a operação. Desconforto político não substitui essa análise.
Em 2025, investidores estrangeiros destinaram US$ 218,4 bilhões à aquisição de empresas existentes nos Estados Unidos, dentro de US$ 232,2 bilhões usados para adquirir, estabelecer ou expandir negócios no país. São dados preliminares do Bureau of Economic Analysis, órgão responsável pelas estatísticas econômicas americanas.¹
Esse recorte inclui diferentes portes e setores. Não mede brasileiros deixando o país nem comprova a rentabilidade de pequenas empresas. Mostra, porém, que comprar uma operação existente é uma forma relevante de entrada do capital estrangeiro no mercado americano.
O que justifica comprar uma empresa nos EUA?
Uma aquisição pode dar acesso a clientes, equipe e capacidade de atendimento já estabelecidos. O comprador consegue examinar o histórico do negócio, em vez de depender apenas de projeções de uma operação que ainda não existe.
Para o empresário brasileiro, isso pode representar uma segunda fonte de caixa, em dólar, ligada a outro mercado consumidor. Mas a moeda não corrige uma margem insuficiente. E o histórico não garante que os clientes continuem depois da venda.
A pergunta é direta: eu compraria esse negócio se o candidato que apoiei tivesse vencido?
Se a resposta for não, talvez a decisão esteja sendo guiada pela urgência de sair, e não pela qualidade do investimento.
A ferramenta pode ser a mesma. A estrutura precisa caber no comprador.
Um fundo pode ter equipes dedicadas à integração e capital para suportar uma transição difícil. Um empresário que mantém compromissos no Brasil precisa dimensionar sua própria disponibilidade.
Uma empresa de manutenção com gestor capaz pode fazer mais sentido para esse perfil do que uma operação maior, inteiramente dependente do vendedor. O critério não é parecer sofisticado. É conseguir administrar o que foi comprado.
A due diligence na aquisição — investigação financeira, jurídica e operacional — precisa testar o lucro apresentado. Deve considerar o custo de substituir o dono e o dinheiro necessário para manter a empresa funcionando.
A carta de intenção, ou LOI, deve registrar as condições da proposta. O financiamento precisa funcionar sem depender de crescimento otimista.
Investimento e mudança de país são decisões diferentes
Estrangeiros podem ser proprietários de empresas americanas, mas a propriedade, por si só, não autoriza trabalhar nos EUA.² O plano migratório precisa ser avaliado separadamente da compra.
Os Estados Unidos também têm riscos econômicos e regulatórios. Internacionalizar pode reduzir a concentração geográfica; não elimina riscos nem transforma uma empresa em investimento passivo.
Alocar capital é decidir onde cada parcela do patrimônio faz mais sentido, considerando retorno, risco e capacidade de execução. Essa decisão precisa continuar válida quando a discussão eleitoral perder espaço.
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