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Pesquisa apresentada na RSNA 2025 revela que alterações no músculo glúteo máximo estão associadas a diabetes tipo 2, envelhecimento e fragilidade, com diferenças entre homens e mulheres. Uma parte do corpo frequentemente ignorada pode oferecer pistas importantes sobre a saúde metabólica. Pesquisadores da University of Westminster, no Reino Unido, descobriram que a forma do músculo glúteo máximo – o principal músculo das nádegas – sofre mudanças relacionadas à idade, gênero, estilo de vida, fragilidade, osteoporose e, especialmente, ao diabetes tipo 2.
Os achados foram apresentados em dezembro de 2025, durante o congresso anual da Radiological Society of North America (RSNA), em Chicago. Utilizando imagens de ressonância magnética (MRI) em 3D de mais de 61 mil exames do banco de dados UK Biobank, a equipe liderada pela professora E. Louise Thomas criou modelos detalhados do glúteo máximo.
Diferentemente de estudos anteriores, que focavam no tamanho ou na quantidade de gordura no músculo, essa pesquisa mapeou precisamente onde ocorrem as deformações. “Pessoas com maior condicionamento físico, medido por atividade vigorosa e força de preensão manual, apresentavam glúteos mais volumosos, enquanto envelhecimento, fragilidade e longos períodos sentados estavam ligados ao afinamento muscular”, explicou a coautora Marjola Thanaj, pesquisadora sênior no Centro de Saúde Ótima da universidade.
No diabetes tipo 2, as alterações são sexo-específicas: homens exibem encolhimento localizado (atropia regional), enquanto mulheres mostram aumento aparente do músculo, provavelmente devido à infiltração de gordura. “Isso sugere respostas biológicas muito diferentes à mesma doença entre homens e mulheres”, afirmou Thanaj. Essas mudanças podem sinalizar declínio funcional precoce e comprometimento metabólico, antes de sintomas evidentes. O glúteo máximo, um dos maiores músculos do corpo, atua como “amortecedor” para costas, joelhos e quadris, além de ajudar na regulação do açúcar no sangue e queima de calorias.
Essa descoberta reforça conhecimentos consolidados sobre distribuição de gordura corporal. O padrão “pera” (acúmulo maior nos quadris e nádegas, mais comum em mulheres) é considerado protetor contra doenças cardiovasculares e diabetes, atuando como depósito “seguro” de gordura subcutânea. Já o padrão “maçã” (gordura abdominal) eleva riscos metabólicos.
No Brasil, estudos como o ELSA-Brasil (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto) confirmam que maior gordura gluteofemoral reduz o risco de eventos cardiovasculares em dez anos, mesmo controlando o IMC.Fortalecer os glúteos: investimento na longevidadeEspecialistas enfatizam que manter os glúteos fortes é essencial para postura, equilíbrio e prevenção de quedas. Tanya Becker, cofundadora da Physique 57, em Nova York, chama os glúteos de “órgão da longevidade”. “Eles queimam mais calorias, regulam o açúcar no sangue e protegem articulações”, disse ela em entrevista recente. Becker recomenda exercícios acessíveis, como pilates e barre, ideais para iniciantes ou pessoas com limitações. Sugestões simples:

Pulso de perna em quatro apoios: De joelhos e mãos no chão, levante uma perna (dobrada ou esticada) e pulse para cima por 30 a 60 segundos.
Repita no outro lado.
Abertura lateral de joelhos: Deitado de lado, joelhos dobrados a 90 graus, abra o joelho superior como uma concha, mantendo os calcanhares juntos.
Para desafio extra, levante os pés. 30 a 60 segundos por lado.
Ponte: Deitado de costas, joelhos dobrados e pés no chão, eleve os quadris contraindo os glúteos. Mantenha por 30 a 60 segundos. Faça três séries.
Antes de iniciar, consulte um médico, especialmente se houver lesões ou condições preexistentes.
Os pesquisadores alertam que, embora promissor, o estudo é preliminar e precisa de mais validação. No entanto, reforça a importância da atividade física para preservar não só a forma, mas a saúde metabólica ao longo da vida.


