Tiago Prado
Se você acha que a Inteligência Artificial veio apenas para cortar a sua folha de pagamento e fazer sua operação rodar mais rápido, prepare-se para uma surpresa desagradável. Um estudo recente da IBM mostrou que 79% dos executivos acreditam que a IA será o motor de receita de suas empresas até 2030. Mas a verdade nua e crua é que a maioria deles não faz ideia de como chegar lá. Na era da IA, a produtividade virou commodity.
Pense comigo: se a execução técnica se torna barata e fácil para todo mundo, a eficiência deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser apenas o requisito básico para você entrar no jogo. Se todos os seus concorrentes produzem mais rápido e mais barato, o que acontece com o preço do seu serviço? Ele cai. E se o preço cai porque ficou fácil fazer, a sua margem de lucro derrete, a menos que você tenha algo que a máquina não consegue copiar.
É aqui que as coisas mudam para o empreendedor imigrante nos Estados Unidos. Nós não viemos para cá para competir em quem aperta botões mais rápido. Nós viemos para construir ativos.
Enquanto a execução se torna abundante e barata, o valor do mercado migra para o topo da cadeia. O dinheiro vai se concentrar naquilo que a tecnologia não consegue replicar facilmente: o controle sobre a sua marca, a sua rede de distribuição, os dados proprietários que você acumulou e, acima de tudo, o relacionamento de confiança com o seu cliente.
A lógica da lucratividade está mudando diante dos nossos olhos. O mercado está deixando de premiar quem apenas “faz” para recompensar quem sabe “direcionar”. Em um ambiente onde produzir é acessível, a capacidade de coordenação e estratégia vale ouro. Portanto, a pergunta que você deve se fazer hoje não é “como a IA pode substituir meus funcionários?”.
A pergunta de um milhão de dólares, literalmente, é: “O que no meu negócio continua sendo essencial e raro quando todo o resto se torna comum?” O vencedor desta década não será necessariamente o empresário mais “tech” ou o que usa mais ferramentas de automação.
O vencedor será aquele que conseguir traduzir a tecnologia em vantagem operacional e, principalmente, em um posicionamento de mercado inabalável. A IA é o motor, mas quem define a direção e o destino do seu império ainda é você.


