Por: Equipe JSNEWS, Washington, 18 de março de 2026
Mohommad Nazeer Paktyawal, afegão de 41 anos, pai de seis filhos e ex-aliado das forças militares americanas no Afeganistão, morreu no sábado (14) em um hospital de Dallas, no Texas, menos de 24 horas após ser detido pela Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). A família divulgou a informação por meio da organização AfghanEvac, que o evacuou do país em 2021 durante a retirada americana.
Paktyawal vivia em Richardson, subúrbio de Dallas, com a esposa e os filhos — o mais novo com apenas 18 meses. A família o descreve como “um marido amoroso e pai dedicado”, que tentava reconstruir uma vida pacífica após anos de guerra. Na manhã da detenção, em 13 de março, ele preparava-se para levar as crianças à escola quando agentes mascarados o cercaram e o levaram algemado diante dos filhos. “Esse momento ficará para sempre com eles”, diz o comunicado familiar.
À noite, a família foi informada de que ele havia sido levado a um hospital. Na manhã seguinte, veio a notícia da morte, às 9h10, no Parkland Hospital. A família enfatiza que Paktyawal era “um homem forte e saudável”, sem histórico médico conhecido, e que as crianças continuam perguntando quando o pai voltará para casa.
O ICE confirmou a detenção e a morte em nota oficial, afirmando que Paktyawal estava sob custódia por apenas um dia. A agência alega que ele tinha “histórico criminal”, incluindo duas prisões em 2025 por fraude no programa de vale-alimentação (SNAP) e furto — sem esclarecer se houve condenações. O DHS acrescentou que Paktyawal não apresentou registro de serviço militar ao entrar no país, via aeroporto de Washington Dulles, em 21 de agosto de 2021, sob parole humanitário concedido por oficial de imigração. Esse status expirou em agosto de 2025.
A AfghanEvac, porém, afirma que Paktyawal foi evacuado pelo governo americano durante a retirada de 2021 e serviu ao lado de tropas dos EUA por mais de uma década, inclusive como soldado das forças especiais afegãs em Paktika. Shawn VanDiver, presidente da organização, declarou: “Ele sobreviveu à nossa guerra no Afeganistão e confiou nos Estados Unidos para reconstruir a vida aqui. Sua família merece respostas. O público americano merece respostas. Os militares dos EUA que lutaram ao lado de parceiros afegãos merecem respostas.”
A causa da morte não foi divulgada, e o caso está sob investigação interna do ICE, como exige a lei. A agência reiterou compromisso com ambientes “seguros, seguros e humanos” em custódia.
O episódio ocorre em meio ao aumento de mortes em detenção do ICE durante o segundo mandato de Donald Trump. Pesquisadores como Austin Kocher e Adam Sawyer registram mais de 40 óbitos nos primeiros 14 meses, com 12 só em 2026. Relatórios de organizações como ACLU, Anistia Internacional e Human Rights Watch apontam violações sistemáticas de direitos civis, incluindo maus-tratos e falhas médicas em instalações de detenção.
O deputado democrata Marc Veasey, de Dallas, visitou a unidade na semana anterior e exigiu “investigação plena e transparente” do ICE e do DHS.
A morte de Paktyawal reacende o debate sobre o tratamento de ex-aliados afegãos evacuados após a queda de Cabul e a expansão da política de deportações em massa. A família e defensores cobram respostas sobre as circunstâncias da detenção e do falecimento. O ICE e o DHS não responderam a pedidos adicionais de esclarecimento.


