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Em meio à intensificação das operações de deportação promovidas pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) sob a administração Trump, agentes federais do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e da Customs and Border Protection (CBP) têm enfrentado um cenário de crescentes desafios e perigos. Desde setembro de 2025, esses profissionais, dedicados a cumprir as leis de imigração, registraram 11 incidentes em que recorreram ao uso de força letal, disparando contra indivíduos em situações que, segundo relatos oficiais, representavam ameaças iminentes à sua segurança. Em grande parte desses casos, os tiros foram direcionados a veículos em movimento, uma medida defensiva adotada quando os agentes se viam expostos a riscos graves, como atropelamentos ou fugas violentas. Essa realidade reflete não apenas a complexidade das missões em comunidades urbanas e rurais, mas também o compromisso desses agentes em proteger a si mesmos e o público, enquanto lidam com um aumento alarmante de agressões contra eles.
Autoridades do DHS enfatizam que cada disparo ocorreu em contextos de autodefesa, com agentes acreditando que suas vidas estavam em perigo imediato. “O padrão não é de uso excessivo de força por parte da aplicação da lei, mas sim de veículos sendo utilizados como armas por agitadores violentos para atacar nossos oficiais”, declarou Tricia McLaughlin, assistente secretária do DHS, destacando que vários incidentes resultaram em ferimentos a agentes. Essa perspectiva é corroborada por dados oficiais: desde janeiro de 2025, houve um salto de mais de 1.150% em agressões contra o ICE, totalizando 275 casos até o final do ano, incluindo 66 ataques com veículos – um aumento de 3.200% em relação ao período anterior.
Exemplos incluem planos terroristas frustrados, como o complô do grupo extremista Turtle Island Liberation Front, desmantelado pelo FBI em dezembro de 2025, que visava bombas e ataques subsequentes a agentes e veículos do ICE; um tiroteio contra uma instalação da CBP em McAllen, Texas, em julho de 2025, onde o agressor foi neutralizado após ferir um policial; e o caso emblemático de setembro em Franklin Park, Illinois, onde um imigrante indocumentado arrastou um agente por 91 metros antes de ser contido.
Especialistas em policiamento, como Jim Bueermann, ex-chefe de polícia e diretor do Future Policing Institute, reconhecem a emergência de um padrão nesses confrontos, mas ponderam que ele surge de uma dinâmica mais ampla, onde agentes treinados em desescalada e uso mínimo de força são forçados a reagir a ameaças reais.
Chris Burbank, outro veterano da aplicação da lei, observa que, embora haja diretrizes desde os anos 1990 para restringir tiros contra veículos – adotadas pelo DHS em 2013 para evitar riscos desnecessários –, a aplicação prática em campo exige equilíbrio entre segurança e contenção. “Os oficiais recebem treinamento contínuo em táticas de desescalada e priorizam a proteção pública”, reforça McLaughlin, salientando que todos os incidentes são investigados internamente e pelo FBI, garantindo accountability. Em um ambiente polarizado, com protestos crescentes contra as deportações – que já resultaram em milhares de prisões e remoções –, esses agentes emergem como linha de frente em uma missão essencial, navegando entre o dever e os perigos inerentes a um contexto de resistência organizada e retórica inflamada.
Apesar das críticas de que as operações possam ser excessivamente agressivas, os dados sugerem que o foco está na proteção: o ano de 2025 foi um dos mais seguros para agentes em décadas, sem mortes registradas em confrontos diretos nesse período recente, mas com um pico em ferimentos e ameaças. Esse equilíbrio delicado ilustra o profissionalismo dos federais, que, em meio a raids em residências, locais de trabalho e ruas, enfrentam não apenas imigrantes irregulares, mas também cidadãos protestantes e criminosos armados. Três das vítimas fatais nos tiroteios eram suspeitos com histórico criminal, e em pelo menos quatro casos, acusações contra os alvejados foram apresentadas – embora duas tenham sido descartadas posteriormente –, reforçando a narrativa de respostas proporcionais a perigos concretos.


