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Boston, 16 de março de 2026 — Análises independentes divulgadas no início de 2026 apontam para uma desaceleração nas remoções formais executadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante o ano de 2025, primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. Ao mesmo tempo, dados da U.S. Customs and Border Protection (CBP) revelam um aumento expressivo na concessão de parole imigratória (liberdade condicional temporária) em portos de entrada legais, contrastando com a redução geral nas entradas irregulares na fronteira.
O Brookings Institution estima entre 310 mil e 315 mil remoções verificadas em 2025, valor abaixo dos patamares observados em anos anteriores. A Associated Press, com base em dados parciais do ICE, calcula cerca de 400 mil remoções formais — inferior aos aproximadamente 650 mil anuais registrados no final da administração Biden. O Deportation Data Project projeta, em ritmo atual, menos de 300 mil deportações anuais para 2026.
Embora o Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgue números mais elevados — mais de 675 mil deportações formai e cerca de 2,2 milhões de autodeportações (saídas voluntárias incentivadas por políticas restritivas) —, esses totais incluem categorias não verificadas independentemente, como retornos na fronteira e saídas espontâneas. O DHS não publicou relatório anual completo de 2025 até março de 2026, o que alimenta controvérsias sobre metodologia e transparência.
Por outro lado, as detenções e arrestos pelo ICE cresceram: leitos de detenção saltaram de 39 mil para 70 mil diários, e deportações interiores (longe da fronteira) aumentaram até 4,6 vezes nos primeiros nove meses de 2025. Apesar disso, a conversão de prisões em remoções efetivas permaneceu baixa, devido à sobrecarga nas cortes de imigração (149 mil ordens de deportação emitidas entre outubro e dezembro de 2025, segundo o TRAC) e à queda drástica nas chegadas irregulares na fronteira sudoeste — que atingiu mínimos históricos.
Paralelamente, relatório do TRAC (13 de março de 2026) destaca aumento no uso da parole em portos de entrada formais (aéreos, marítimos e terrestres). O número de beneficiados saltou de 3.304 em fevereiro de 2025 para 12.639 em janeiro de 2026 — patamar superior aos meses finais da administração Biden (ex.: 5.977 em dezembro de 2024 e 5.478 em janeiro de 2025). Em janeiro de 2026, os parolees representaram um recorde de 61,5% dos 20.539 inadmissíveis processados nos portos. Excluindo esses casos, as demais disposições (remoções expedidas, Notices to Appear etc.) caíram nos 12 meses anteriores.
O aumento ocorreu em quase todos os escritórios de campo da CBP, com Boston liderando: alta de mais de 600% na concessão de parole nos últimos três meses analisados. Nacionalidades como indianos destacaram-se: 85% dos indianos que chegaram sem documentação adequada em janeiro de 2026 obtiveram parole.
Essa tendência nos portos formais contrasta com a política oficial de zero liberações por parole na fronteira sudoeste (entre portos de entrada), mantida por meses consecutivos, e com a queda de 12% na aplicação de remoção expedita nos pontos de entrada. Especialistas atribuem o uso continuado da parole a fatores como limitações operacionais, considerações humanitárias urgentes ou benefício público significativo, mesmo sob agenda de endurecimento migratório.
A combinação de desaceleração nas remoções formais e crescimento na parole em portos legais reflete uma dinâmica complexa: enquanto a fronteira irregular registra mínimos históricos, os pontos de entrada formais priorizam mecanismos temporários sobre expulsões imediatas. O debate sobre a efetividade da política migratória deve se intensificar com a publicação de relatórios oficiais atualizados e novas análises independentes nos próximos meses.


