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Brendan Banfield, ex-agente da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS), foi condenado nesta segunda-feira (2 de fevereiro de 2026) por duplo homicídio agravado no assassinato de sua esposa, Christine Banfield, e de Joseph Ryan, ocorrido em fevereiro de 2023, na Virgínia.
O caso envolveu um plano elaborado, segundo a acusação: Banfield, que mantinha um relacionamento extraconjugal com a babá brasileira da família, Juliana Peres Magalhães, teria atraído Ryan para a residência do casal sob falsos pretextos, com o objetivo de eliminar a esposa e encenar uma invasão ou ataque para culpar a vítima.
Juliana Peres Magalhães, que atuava como au pair (babá intercambista) na casa dos Banfield, foi inicialmente acusada de homicídio em segundo grau. Em 2024, porém, fechou um acordo com a promotoria: declarou-se culpada por homicídio culposo (involuntary manslaughter) na morte de Ryan — crime pelo qual atirou nele após Banfield iniciar os disparos — e concordou em testemunhar contra o ex-patrão e ex-amante. Em troca, deve receber uma pena reduzida, possivelmente equivalente ao tempo já cumprido em prisão preventiva, com perspectiva de liberação em breve e retorno ao Brasil. Sua sentença está prevista para os próximos dias.
Banfield, de 40 anos, negou durante o julgamento qualquer participação no planejamento dos crimes. Admitiu o relacionamento extraconjugal com Magalhães (iniciado em 2022) e outros affairs, mas afirmou que a versão dela era “absolutamente insana”. A defesa argumentou que o testemunho da ex-babá era motivado pelo desejo de obter um acordo favorável e questionou a confiabilidade das provas digitais, sugerindo inclusive que Christine Banfield poderia ter criado perfis em sites de fetiches.
A promotoria, por sua vez, apresentou evidências como depoimentos, análise de manchas de sangue e histórico de comunicações, sustentando que Banfield e Magalhães usaram um perfil falso — simulando ser Christine Banfield, enfermeira de UTI pediátrica — em um site voltado a fantasias sexuais para atrair Ryan. O homem foi levado à casa sob a promessa de um encontro consensual envolvendo elementos de fetiche; ao chegar, foi baleado por Banfield e, em seguida, por Magalhães. Christine Banfield foi esfaqueada no pescoço.
No dia dos fatos, 24 de fevereiro de 2023, Banfield alegou à polícia ter encontrado Ryan atacando a esposa e tê-lo abatido em legítima defesa, com Magalhães também disparando. A investigação descartou essa narrativa como improvável.
O júri deliberou por cerca de nove horas ao longo de dois dias antes de declarar Banfield culpado em dois counts de aggravated murder (homicídio agravado, com qualificadoras como múltiplas vítimas e planejamento), além de uso de arma de fogo em crime e colocação de criança em risco (a filha do casal, então com 4 anos, estava na casa). A pena obrigatória para os crimes de aggravated murder é prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. A sentença formal está marcada para 8 de maio de 2026.
O caso atraiu ampla cobertura na mídia americana e brasileira devido aos detalhes envolvendo traição conjugal, uso de plataformas online para fetiches e o contraste entre a vida suburbana aparentemente comum e os eventos violentos.


