
St. Paul, Minnesota – 19 de janeiro de 2026 –
Em um episódio que destaca as tensões crescentes entre ativistas anti-imigração e autoridades federais, um grupo de manifestantes interrompeu os cultos religiosos na Cities Church, uma congregação cristã localizada em St. Paul, no último domingo, 18 de janeiro. Os ativistas, associados a organizações como Black Lives Matter Minnesota e Racial Justice Network, entraram no santuário durante o serviço matinal, gritando slogans como “ICE out” (Fora ICE) e “Justice for Renee Good” (Justiça para Renee Good). Renee Good, uma mãe de três filhos de 37 anos, foi fatalmente baleada por um agente do ICE no início de janeiro durante operações de imigração na região de Minneapolis-St. Paul.
O foco do protesto foi David Easterwood, listado como pastor na igreja e que também ocupa o cargo de diretor interino do escritório de campo do ICE em St. Paul. Os manifestantes permaneceram no local por cerca de 20 a 30 minutos, interrompendo o sermão conduzido pelo pastor principal Jonathan Parnell, que descreveu a ação como “vergonhosa”. Não houve relatos de violência física ou danos materiais significativos, mas o incidente levou o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ)a anunciar uma investigação no mesmo dia, por possíveis violações de direitos civis, incluindo interferência no exercício religioso e profanação de um local de culto.
A assistente do Procurador-Geral para Direitos Civis, Harmeet Dhillon, afirmou que “uma casa de culto não é um fórum público para protestos”, enquanto a Procuradora-Geral Pam Bondi prometeu processar qualquer infração federal.
Os organizadores do protesto, incluindo a reverenda Nekima Levy Armstrong, defenderam a ação como uma denúncia à “hipocrisia” de um líder religioso envolvido em operações de imigração controversas, que incluem alegações de uso excessivo de força, como spray químico e detenções em condições adversas.
Do ponto de vista cristão conservador, esse incidente revela uma aplicação problemática do conceito de “jugo desigual”, conforme descrito em 2 Coríntios 6:14: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?”. Aqui, o jugo desigual não se limita a relacionamentos pessoais, mas estende-se a debates morais e políticos: ativistas que não aceitam integralmente o jugo cristão – ou seja, a submissão total aos ensinamentos bíblicos – não podem impor seletivamente deveres cristãos a quem o aceita.
Os manifestantes invocam mandamentos como “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39) para acusar o pastor Easterwood de hipocrisia, por liderar operações do ICE que, em sua visão, causam sofrimento a imigrantes. No entanto, eles ignoram outros mandamentos, como “dar a outra face” (Mateus 5:39) ou o respeito a autoridades instituídas (Romanos 13:1-7), ao optar por interrupções disruptivas em espaços sagrados. Além disso, a sociedade reconhece papéis e funções desiguais: um pastor que também atua como agente público pode exercer autoridade secular sem necessariamente incorrer em hipocrisia, desde que o faça com integridade pessoal, alinhada à sua fé. Exemplos bíblicos, como o centurião romano elogiado por Jesus (Lucas 7) ou soldados batizados em Atos, mostram que profissões de autoridade não são incompatíveis com o cristianismo.
Em contraste, ativistas com inclinações revolucionárias não se submetem aos mesmos limites morais cristãos, priorizando ações políticas que podem incluir confrontos e invasões, o que destaca uma incoerência ao cobrar padrões que eles próprios rejeitam. Essa dinâmica reflete uma crítica mais ampla à moral dupla ou padrão duplo, frequentemente associada ao pensamento marxista e revolucionário. Como articulado em obras como “Their Morals and Ours” de Leon Trotsky, a moral burguesa (ou, por extensão, cristã tradicional) é vista como limitante, enquanto a moral revolucionária justifica meios sem restrições para alcançar fins sociais. Aplicado aqui, os protestos BLM/anti-ICE invadem cultos e espaços privados, mas acusam hipocrisia alheia, mostrando a ideia de que “nós revolucionários não temos limites burgueses, mas cobramos deles”.
Assim, enquanto o BLM critica o pastor por não “amar o próximo” em suas operações profissionais, eles próprios não demonstram amor aos opositores em manifestações – gritando, interrompendo cultos, confrontando autoridades e, em alguns casos, causando distúrbios –, o que contraria Mateus 5:44: “Amai os vossos inimigos”.
Esse contra-ataque equipara os lados, sugerindo que se “amar o próximo” é o critério absoluto, ninguém o cumpre integralmente, enfraquecendo a força moral da crítica ativista. Em essência, o argumento aqui empregado é um clássico “tu quoque” (ou “você também” em Latin), uma falácia lógica que não refuta diretamente a acusação original de hipocrisia contra o pastor, mas tenta desqualificá-la ao apontar incoerências semelhantes no acusador. Embora possa neutralizar o debate moral no curto prazo, ele destaca a necessidade de consistência em ambos os lados para um diálogo genuíno.
O video pode ser visto aqui: https://apnews.com/video/doj-vows-to-press-charges-after-activists-disrupt-church-where-minnesota-ice-official-is-a-pastor-0ba96f12bda841f69064e457a4370ca3


