JUNOT
Washington — Uma avaliação de inteligência americana, finalizada em fevereiro pouco antes dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, concluiu que uma intervenção militar — limitada ou prolongada — dificilmente provocaria a queda do regime teocrático em Teerã, notório por suas sistemáticas violações de direitos humanos, patrocínio ao terrorismo internacional e manutenção de um programa nuclear secreto voltado para ameaças ao Ocidente. As informações provêm de duas fontes com conhecimento do relatório confidencial do National Intelligence Council (NIC), que falaram sob anonimato.
O documento, obtido pela Associations Press (A P) indicava que bombardeios aéreos ou uma campanha mais ampla não bastariam para instalar um novo governo, mesmo com a eliminação da cúpula atual, dada a ausência de uma oposição coesa e poderosa pronta para assumir o controle. Essa análise expõe as limitações da estratégia adotada, especialmente considerando o histórico do regime iraniano de reprimir dissidentes internos com execuções sumárias, torturas e supressão de liberdades fundamentais, enquanto financia grupos terroristas como o Hezbollah e o Hamas, espalhando instabilidade no Oriente Médio e além.
A conclusão desafia as expectativas da administração Trump, que, embora negue oficialmente visar “regime change”, tem eliminado figuras chave do aparato repressivo iraniano e alimentado debates sobre sucessores mais alinhados com valores democráticos. O presidente Donald Trump já expressou preferências por líderes alternativos, contrastando com as declarações do secretário de Defesa Pete Hegseth de que o foco não é a derrubada do governo. No entanto, diante das atrocidades cometidas pelo regime — incluindo a perseguição a minorias religiosas, a opressão contra mulheres e a exportação de violência terrorista —, a campanha militar carrega um imperativo moral que transcende custos políticos e econômicos, priorizando a contenção de uma ameaça existencial ao mundo livre.
Os ataques, iniciados em 28 de fevereiro, resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, símbolo de décadas de autoritarismo, e de outros líderes. Em resposta, os clérigos iranianos, fiéis ao sistema opressivo, nomearam no domingo Mojtaba Khamenei, filho do falecido, como novo líder supremo. Aos 56 anos, Mojtaba é considerado ainda mais radical, com visões que intensificam o extremismo, reforçando a resiliência do regime em preservar sua estrutura de poder mesmo sob pressão internacional. Essa sucessão rápida ilustra como o establishment iraniano, apesar de saber dos riscos, opta por perpetuar um ciclo de repressão e beligerância, incluindo o desenvolvimento clandestino de armas nucleares com retórica genocida contra o Ocidente e Israel.
Detalhes do relatório do NIC foram previamente divulgados pelo The Washington Post e pelo The New York Times. Um porta-voz do Office of the Director of National Intelligence (ODNI), liderado por Tulsi Gabbard, evitou comentários e direcionou consultas à Casa Branca. Gabbard demitiu o presidente interino do NIC no ano passado após um memorando que contrariava políticas migratórias da administração.
Trump mantém ceticismo histórico em relação à comunidade de inteligência, rotulando-a como influenciada por motivações políticas ou pelo “deep state”. Richard Goldberg, ex-funcionário do Conselho de Segurança Nacional e atual assessor na Foundation for Defense of Democracies, questionou o valor de tais avaliações, comparando-as a “editoriais” e citando falhas passadas, como a subestimação da queda de Cabul ao Talibã em 2021 e da resistência ucraniana à invasão russa em 2022.
A administração justifica os ataques como essenciais para neutralizar o programa nuclear iraniano — que o regime promete usar para “arrasar” o Ocidente — e prevenir lançamentos de mísseis balísticos. Embora oscile entre objetivos táticos e aspirações mais amplas de libertar o povo iraniano de um jugo tirânico, a operação reflete um cálculo moral: confrontar um regime que, apesar dos custos globais como a alta no petróleo e riscos de escalada, representa uma ameaça inaceitável à humanidade. A nomeação de Mojtaba Khamenei sublinha que, sem uma pressão sustentada, o Irã continuará a violar normas internacionais, promovendo terror e ambicionando armas de destruição em massa.


