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São Paulo, 10 de fevereiro de 2026 — Um brasileiro deportado após quatro meses de detenção pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) relatou condições precárias em uma instalação remota na Flórida, conhecida como “Alcatraz dos Jacarés”. Anderson Crivelaro, de 36 anos, descreveu um ambiente de restrições severas à alimentação, higiene e conforto, que ele classifica como “tortura psicológica, física e mental”. O caso, revelado em entrevistas recentes à GloboNews e ao G1, confirma denúncias de outros imigrantes e organizações de direitos humanos sobre o tratamento em centros de detenção americanos durante o aumento de deportações sob a administração Trump.
Crivelaro, que entrou nos EUA com visto de turista em 2021 e iniciava um processo de legalização, foi detido em 19 de agosto de 2025 em Miami. Ele optou pela detenção voluntária para permitir que sua esposa e duas filhas pequenas permanecessem no país, mas foi transferido para o centro de detenção no Everglades, uma área pantanosa cercada por canais infestados de jacarés — apelidada assim por sua isolamento e condições inóspitas. “Era um lugar projetado para punir quem só queria uma vida melhor”, disse ele em depoimento à GloboNews, destacando que os detidos eram tratados como criminosos comuns, apesar de muitos estarem apenas irregularmente no país.
Entre as alegações mais graves, Crivelaro relatou alimentação insuficiente: as refeições eram mínimas, deixando os detidos com fome poucas horas após comerem. “Você comia e já sentia vazio”, contou. Além disso, o acesso a banho era limitado a três vezes por semana, com duração máxima de 10 minutos cada, e o sistema de ventilação no refeitório soprava ar gelado, enquanto os guardas usavam jaquetas e os imigrantes não tinham proteção contra o frio. “Era uma forma de nos quebrar mentalmente”, afirmou, enfatizando que não havia acesso adequado a itens básicos de higiene ou recreação, como livros ou televisão.

O brasileiro foi deportado em dezembro de 2025, sem poder se despedir fisicamente das filhas, e agora enfrenta uma proibição de 10 anos para retornar aos EUA. Sua história ganhou repercussão em veículos como o Diário do Centro do Mundo (DCM) e a Folha de S.Paulo, que já haviam reportado denúncias semelhantes no centro. Em julho de 2025, a Folha publicou relatos de imigrantes sobre vazamentos em barracas durante chuvas, invasão de insetos, privação de sono devido a luzes acesas 24 horas e falta de atendimento médico, agravados pela localização remota do local — o que dificulta visitas de advogados e familiares.
Organizações como a Anistia Internacional e a BBC News corroboram essas queixas. O relatório anual de 2025 da Anistia destacou violações sistemáticas em instalações como essa, incluindo negligência médica e isolamento que exacerbam problemas de saúde mental. Betty Osceola, moradora local citada pela BBC, criticou o centro como “cruel e absurdo”, argumentando que sua localização pantanosa só piora as condições já precárias em detenções urbanas.
O caso de Crivelaro não é isolado. Em janeiro de 2026, a Agência Brasil e a CNN Brasil reportaram a detenção de outro brasileiro, Matheus Silveira, preso durante uma entrevista para green card na Califórnia e transferido para uma unidade na Louisiana. Sua família denuncia alimentação inadequada, custos altos para ligações e tratamento “desumano”, com demora na deportação apesar de pedido voluntário. Esses episódios ocorrem em meio a um aumento de 47% nas deportações de brasileiros em 2025, segundo dados do ICE divulgados pela GloboNews, impulsionado pela política de “deportações em massa” de Trump.
Enquanto Crivelaro tenta reconstruir a vida no Brasil, separado da família, sua denúncia destaca os impactos humanos da rigidez migratória americana. “Não era prisão para criminosos, mas para sonhadores”, resumiu. Com o debate sobre imigração aquecido nos EUA, casos como esse podem pressionar por reformas em um sistema criticado por sua opacidade e severidade.


