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Belo Horizonte, 12 de fevereiro de 2026 – Após uma saga que destacou as complexidades do sistema imigratório americano, o brasileiro Matheus Silveira, de 30 anos, finalmente pisou em solo nacional nesta quinta-feira. Ele desembarcou no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, onde foi acolhido por representantes do programa federal “Aqui é Brasil”, iniciativa voltada para apoiar repatriados. A mãe de Matheus, Luciana, confirmou os detalhes da chegada, expressando alívio pelo fim do calvário vivido pelo filho.
A história de Matheus começou em novembro de 2025, quando ele e sua esposa, Hannah Silveira, compareceram a uma entrevista rotineira para obtenção de residência permanente nos Estados Unidos, em San Diego, na Califórnia. O casal, que se casou em agosto de 2024, esperava uma aprovação tranquila do green card, especialmente considerando o histórico de Hannah: ela é cidadã americana por nascimento e serviu por dois anos no Exército dos EUA como paramédica, antes de se formar em direito e atuar como advogada no estado. No entanto, durante a audiência com autoridades de imigração, agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas) intervieram, alegando que Matheus havia ultrapassado o prazo de seu visto de estudante F-1, expirado em 2023 em meio aos impactos da pandemia.
Detido em 24 de novembro de 2025, Matheus foi transferido para centros de detenção, incluindo o de Otay Mesa, onde enfrentou condições precárias, como superlotação, alimentação insuficiente e perda de peso significativa. Ele permaneceu sob custódia por mais de dois meses, totalizando aproximadamente 65 dias de prisão. A família nega qualquer antecedente criminal, criticando o tratamento dispensado pelas autoridades americanas, que o rotularam indevidamente como “criminoso”.
Apesar da aprovação inicial do green card e do status de Hannah como cidadã e veterana das forças armadas, o processo imigratório não concedeu a Matheus a residência esperada. Isso serve como lembrete importante: o casamento com um cidadão americano não garante automaticamente o direito à permanência nos EUA. Fatores como violações de visto, mesmo involuntárias, podem levar a detenções e deportações, independentemente dos laços familiares ou contribuições do cônjuge.
No desfecho do caso, Matheus optou por assinar um acordo de saída voluntária, uma alternativa à deportação formal que, no entanto, impõe uma proibição de reentrada nos EUA por 10 anos. A família alega que essa escolha não foi verdadeiramente voluntária, mas sim uma imposição do sistema para evitar piores consequências. Hannah, abalada emocionalmente e sentindo-se insegura nos Estados Unidos, decidiu acompanhar o marido de volta ao Brasil, onde terá de recomeçar sua carreira profissional – seu diploma de direito não é reconhecido automaticamente aqui, exigindo adaptações.
Agora em Belo Horizonte, Matheus planeja um período de descanso antes de retornar ao Rio de Janeiro, sua cidade natal, onde pretende retomar estudos em aviação para se tornar piloto. O caso ilustra os desafios enfrentados por imigrantes brasileiros nos EUA, mesmo em uniões mistas, e reforça a necessidade de orientação especializada em processos de visto.


