JSNEWS – A Câmara dos Deputados americana, liderada pelos democratas, aprovou nesta quinta-feira dois projetos de lei de imigração que abrem caminho para que cerca de 800 mil “dreamers”, imigrantes sem documentos que chegaram aos EUA quando crianças, e trabalhadores agrícolas obtenham sua cidadania.
As propostas, que provavelmente enfrentarão uma batalha difícil no Senado, reabrem um debate tenso sobre o sistema de imigração do país, enquanto o presidente Joe Biden enfrenta um aumento sem precedentes de imigrantes na fronteira com o México.
Em uma votação quase partidária, com 228 votos a favor (só nove republicanos se juntaram aos democratas) e197 contrários, a Câmara decidiu criar um caminho legal permanente para 2,5 milhões de imigrantes sem documentos.
A lei também prevê conceder um caminho de cidadania aos beneficiários do Status de Proteção Temporária (TPS), programa que oferece proteção a pessoas de países que sofrem com conflitos armados, desastres ambientais, como furacões ou terremotos, ou situações catastróficas, como epidemias. Paralelamente, a Câmara aprovou outra lei que dá status legal e um caminho de cidadania a trabalhadores agrícolas.
A proposta, no entanto, deve encontrar um caminho mais difícil no Senado, que está dividido ao meio, mas cujo voto definidor cabe à vice-presidente, Kamala Harris.
“Esta Câmara tem outra chance de aprovar o HR6 e acabar de uma vez por todas com o medo e a incerteza que atormentam a vida dos ‘dreamers’, que se tornaram parte integrante da estrutura da sociedade americana”, disse a deputada Lucille Roybal-Allard, democrata pela Califórnia e autora do projeto de lei, durante um debate acirrado dentro do Capitólio. — É uma questão de quem somos como americanos.
Steve Scalise, líder dos republicanos na Câmara, por sua vez, pediu que sua bancada votasse contra a lei, afirmando que “pioraria o fluxo de imigrantes ilegais” para os Estados Unidos.
Mais cedo, a Casa Branca afirmou que a lei para proteger os “dreamers” era “um marco decisivo no caminho para dar um alívio tão necessário a milhões de pessoas sem documentos que consideram os Estados Unidos como seu lar”.
Embora alguns republicanos tenham prometido apoio aos “dreamers” no passado, o partido está cada vez mais unido em uma estratégia linha-dura para bloquear qualquer nova lei de imigração.
“Não há caminho para nada agora”, disse esta semana o senador republicano Lindsey Graham, peça-chave em esforços bipartidários anteriores.
O projeto de lei passou por diversos avanços e retrocessos na última década, e nunca alcançou uma solução no âmbito legislativo. Em 2012, o presidente democrata Barack Obama concedeu o status de proteção por meio de uma ação executiva que estabeleceu a Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), um decreto que garantia que os “dreamers” não fossem ameaçados de deportação e pudessem estudar, trabalhar e dirigir.
O presidente republicano Donald Trump, no entanto, cancelou esse status, dando lugar a uma longa batalha judicial que terminou na Suprema Corte.