
Islamabad, 2 de janeiro de 2026 – Em uma decisão que cheira a autoritarismo puro e simples, um tribunal antiterrorismo no Paquistão condenou sete jornalistas, YouTubers e ex-oficiais militares à prisão perpétua in absentia, sob a acusação ridícula de incitar violência por meio de postagens em redes sociais que ousaram apoiar o ex-primeiro-ministro Imran Khan. Essa sentença draconiana, proferida pelo juiz Tahir Abbas Sipra, não passa de uma tentativa descarada de calar vozes críticas ao regime atual e ao poderoso establishment militar, transformando opiniões políticas em atos de “terrorismo digital” – um termo conveniente para justificar a mordaça.
Os réus, incluindo jornalistas respeitados como Shaheen Sehbai, Sabir Shakir e Moeed Pirzada, além de influenciadores como Wajahat Saeed Khan, Haider Raza Mehdi, Adil Raja e Syed Akbar Hussain, foram punidos por vídeos e posts que, na visão distorcida da promotoria, fomentaram protestos contra o Estado durante os distúrbios de 9 de maio de 2023.
Vamos ser francos: isso é censura disfarçada de justiça, punindo o direito básico de expressão enquanto o Paquistão afunda em uma espiral de repressão que envergonha qualquer nação que se diga democrática. Organizações como o Committee to Protect Journalists (CPJ) e a Amnesty International não hesitaram em denunciar isso como um ataque vil à liberdade de imprensa, e com razão – jornalistas já enfrentam agressões rotineiras, como o incidente vergonhoso em setembro de 2025, quando repórteres foram atacados durante uma coletiva de Aleema Khan, irmã de Imran.
Pior ainda, essa farsa judicial reflete de forma alarmante o que acontece no Brasil, onde acusações semelhantes de “incitação contra o Estado Democrático de Direito” via redes sociais mandam qualquer um para a cadeia sob pretextos igualmente questionáveis. Nos rescaldos dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF), sob a batuta do ministro Alexandre de Moraes, condenou pelo menos 371 pessoas até janeiro de 2025 – muitas por meras postagens que “criaram ambiente propício” para invasões ao Congresso, Planalto e STF. Até julho de 2025, o número de condenados saltou para 643, com penas de até 17 anos para “incitadores graves” e restrições absurdas como proibições de usar redes sociais para casos “menores”.
Isso não é justiça; é uma caça às bruxas seletiva, que criminaliza opiniões políticas sob o manto de proteger a democracia.
Onde fica o limite entre discordância legítima e crime? No Brasil, como no Paquistão, parece que o poder judicial se transforma em ferramenta para esmagar opositores, minando a essência da liberdade de expressão.
Esses episódios não são coincidências; são sintomas de um declínio global da democracia, onde governos frágeis usam leis antiterrorismo como martelos contra vozes incômodas. No Paquistão, o veredicto pode forçar mais jornalistas ao exílio, enquanto no Brasil, o STF prossegue com centenas de inquéritos que cheiram a perseguição política. É preciso questionar: quem protege os direitos fundamentais quando o Estado vira predador? Sem uma reação firme, esses “crimes de opinião” só vão proliferar, sufocando o debate livre e pavimentando o caminho para o autoritarismo.


