Tiago Prado
Na mesma semana em que o governo americano suspendeu vistos para 75 países, incluindo o Brasil, sob a justificativa de que imigrantes “extraem riqueza“, o mercado financeiro deu uma resposta de US$ 1,3 bilhão. Este foi o valor do aporte liderado pelo The Carlyle Group, um dos maiores fundos de private equity do mundo, na Trucordia, uma das 20 maiores plataformas de seguros dos EUA. O objetivo? Adquirir, entre outras, a Breezy Seguros, uma corretora fundada pelo goiano Tiago Prado.
A ironia é devastadora. Prado chegou aos EUA aos 14 anos, de forma irregular e sem falar inglês. Hoje, a empresa que ele construiu do zero é validada por um dos nomes mais poderosos de Wall Street. A transação, finalizada em novembro de 2025, ocorreu poucas semanas antes da suspensão dos vistos em janeiro de 2026, que afeta categorias como a EB-2 para profissionais qualificados — exatamente o perfil que Prado se tornou.
Enquanto o comunicado oficial de Washington foca em supostos custos sociais, a história de Prado revela o oposto. Após trabalhar em subempregos para sobreviver, ele se formou em economia pela prestigiosa Tufts University e identificou uma falha de mercado: a comunidade latina precisava de seguros, mas era ignorada pelas grandes corporações. Ele não extraiu riqueza; ele a criou. “O mercado não investe bilhões por caridade”, afirma Prado. “Se o Carlyle colocou capital na operação, é porque o imigrante é um cliente lucrativo e um gerador de impostos.” Sua empresa, especializada em atendimento para a comunidade imigrante, prova que este grupo não é um passivo, mas um motor de consumo e empreendedorismo.
A medida de Washington cria agora um limbo para milhares de brasileiros que buscam o mesmo caminho da regularização para investir e gerar valor. Especialistas alertam que, ao tentar economizar com benefícios sociais, os EUA podem estar bloqueando a entrada do capital humano que, como prova o investimento do Carlyle, sustenta a própria economia que o governo alega proteger.
A pergunta que fica é: quantos futuros Tiago Prados, capazes de gerar bilhões em valor, estão sendo barrados na porta pela miopia política? Wall Street, com seu pragmatismo financeiro, já deu a resposta.


