Edel Holz – Peido é uma palavra feia, vulgar, pesada… Mas pum é tão bonitinho. Todo mundo solta, mas ninguém tem coragem de admitir. Vinicius de Moraes escreveu até uma poesia homenageando o ato. Com estrondo, sem estrondo, com cheiro, sem cheiro — ele provoca emoções diversas.
Quando alguém não se aguenta mais e, na briga contra os ferozes gases, solta um pum em um lugar fechado, como um ônibus ou trem, e esse pum é pra lá de fedorento… todos se tornam culpados. Só o autor do ato é que disfarça mesmo. Ninguém percebe que foi ele. As pessoas se entreolham, tapam o nariz, cam p da vida com a falta de educação de quem não conseguiu esperar chegar à rua, pelo menos.
Afinal, não há como fugir dali. Todos terão de conviver com aquele odor por algum tempo — que depois, curiosamente, se transforma em graça. Todo mundo ri de um peidinho barulhento ou cheiroso. As crianças, então… se divertem à beça. Imitam com a boca, compram aquele “peido alemão” só pra sacanear os colegas. Tem quem adora anunciar o pum. E se prepara para soltá-lo em grande estilo: levanta o braço direito e o foguetório explode como numa festa junina. Quando ele vem de mansinho e sai devagarinho… é tão boooommmm.
O melhor lugar para soltar um peidinho é no banheiro, claro. Mas tem hora que sai sem querer. Tem gente que diz que nunca fez isso. Esses, vão me desculpar… não são normais e não sabem o que estão perdendo. Porque peidar é bom demais!
SOBRE A COLUNISTA: Edel Holz é a mais premiada e consagrada atriz, roteirista, diretora e produtora teatral brasileira nos Estados Unidos. Inquieta e de mente profícua, Edel tem sempre um projeto cultural engatilhado para oferecer para a comunidade brasileira. Depois de anos de ausência, Edel volta a abrilhantar as páginas de um jornal. Damos as boas vinda à poderosa e de mente efervescente Edel.