
Boston, 09 de fevereiro, de 2026
Uma cidadã colombiana de 59 anos, Lina Maria Orovio-Hernandez, foi condenada por um júri federal em Boston por viver ilegalmente nos Estados Unidos por mais de 20 anos sob uma identidade roubada, fraudar mais de US$ 400 mil em benefícios governamentais — incluindo auxílio-moradia Section 8, invalidez do Seguro Social e SNAP — e votar ilegalmente na eleição presidencial de 2024. Ela obteve nove identificações estaduais, incluindo um Real ID de Massachusetts, solicitou passaporte americano e registrou-se fraudulentamente como eleitora em 2023, culminando no voto fraudulento detectado por câmeras de caixa eletrônico. A promotora federal Leah Foley classificou os atos como uma afronta aos que cumprem as leis de imigração, destacando a “sensação de impunidade” da acusada.
Talvez o objetivo principal dela nunca tenha sido votar. O que ela possivelmente queria, acima de tudo, era manter uma vida “normal” e estável nos EUA — emprego, moradia, benefícios — usando documentos falsos, exatamente como outros tantos indocumentados fazem para conseguir trabalho formal. Depois de décadas sem ser pega, com o sistema parecendo frágil o suficiente para sustentar aquela duplicidade, por que não ir além? “Não deu em nada até agora”, pode ter pensado; então, por que não se habilitar a mais benefícios, tirar um passaporte, e, já que estava tudo “funcionando”, por que não votar também? É oportunismo puro, o passo seguinte na escalada de uma fraude que começou pequena e virou rotina. Só que, quando o caso explode — como explodiu agora, com prisão federal, condenação múltipla e deportação quase certa —, revela que a administração federal não estava exagerando tanto assim ao alertar para a vulnerabilidade do sistema.
Não é exagero político vazio: há motivos reais para questionar por que certas fragilidades persistem, e se não haveria, em algum nível, interesses ocultos em manter as coisas exatamente como estão. Esse caso não é uma árvore no deserto — outros existem, isolados mas reais —, e serve de lembrete: a impunidade tem prazo de validade, e quando acaba, expõe não só o criminoso, mas as rachaduras que permitiram que ele chegasse tão longe.



