
Boston, Massachusetts – 27 de janeiro de 2026
O Departamento de Polícia de Boston (BPD) recebeu 57 solicitações civis de detenção (civil immigration detainer requests) do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) ao longo de 2025 e ignorou todas elas, de acordo com relatório oficial enviado pelo comissário Michael Cox aos funcionários da cidade. O número representa um aumento significativo em relação aos anos anteriores: 15 em 2024, 19 em 2023 e 12 em 2022. Todas as solicitações foram feitas com base na determinação do DHS de que havia “provável causa” de que o indivíduo era um “removable alien” (estrangeiro removível).
A revelação vem em meio à agenda de deportação em massa da administração Trump, que prioriza a remoção de criminosos indocumentados para proteger comunidades americanas. Boston, no entanto, mantém sua política de “Trust Act” — aprovada em 2014, alterada em 2019 e reafirmada por unanimidade pelo Conselho Municipal em dezembro de 2024 —, que proíbe explicitamente a polícia local de deter imigrantes exclusivamente para fins de deportação federal, a menos que haja um mandado criminal judicial.
O Trust Act transforma Boston em uma cidade santuário de fato, oferecendo abrigo a indivíduos que podem representar risco à segurança pública. A lei permite cooperação apenas em casos graves como tráfico humano, drogas, armas, exploração infantil ou cibercrimes — mas ignora milhares de outros casos de ameaça real.
Cox detalhou em sua carta anual (obrigatória pela Lei de Trusts de Boston) que o departamento criou um número de fax dedicado e um processo centralizado para receber e registrar os pedidos, incluindo digitalização e envio por e-mail para fins de arquivamento. A mudança, implementada em fevereiro de 2025, veio após controvérsias em 2024, quando o ICE contestou os números oficiais do BPD alegando que as solicitações ignoradas eram “muito maiores”. Apesar das melhorias no rastreamento, o resultado final foi o mesmo: zero cooperação.
O prefeito Michelle Wu, o comissário Cox e vereadores atuais e antigos defendem a política argumentando que ela aumenta a segurança pública. Segundo eles, imigrantes indocumentados que temem deportação ficam mais relutantes em reportar crimes, cooperar em investigações ou interagir com a polícia local. Cox escreveu: “O Departamento de Polícia de Boston está dedicado a trabalhar em parceria com a comunidade para combater o crime, reduzir o medo e melhorar a qualidade de vida em nossos bairros. Nossa missão é o policiamento comunitário. As comunidades imigrantes de Boston devem se sentir seguras ao reportar crimes e questões de qualidade de vida ao Departamento e ao se envolver proativamente com todos os membros do Boston Police Department.”
Essa narrativa, porém, ignora o custo real da não cooperação: criminosos indocumentados permanecem nas ruas, livres para reincidir, enquanto agentes federais da ICE enfrentam obstrução sistemática em um momento em que o país exige aplicação rigorosa da lei. A administração Trump processou Boston em 2025 exatamente por essa política, argumentando que ela oferece “abrigo ilegal” a imigrantes e impede a execução de leis federais.
O contraste é ainda mais gritante quando comparado a incidentes recentes em outras cidades: em Minneapolis, multidões pró-imigração obstruíram operações da ICE, permitindo fuga de um equatoriano com histórico de assalto doméstico violento e mutilando permanentemente um agente federal. Boston, ao ignorar 57 pedidos, contribui para o mesmo padrão de proteção a potenciais ameaças — sem que haja transparência sobre quem eram os alvos (o relatório não detalha crimes ou perfis).
A administração Trump vê essas políticas de “cidades santuário” como obstáculos diretos à segurança nacional. Enquanto democratas locais priorizam “confiança comunitária” e “policiamento comunitário”, a realidade é que criminosos estrangeiros escapam da justiça federal graças à recusa deliberada de cooperação.
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